Ajuste do câmbio paralisou o mercado de carro estrangeiro
Paulo WolfgangFôlego curtoMarcos Silva, gerente de revenda BMW: Quem não tiver suporte financeiro, vai fechar as portasA alta do dólar inviabilizou as vendas de automóveis importados nos últimos dias. Antes da elevação, os carros, todos cotados pela moeda americana, eram vendidos ao câmbio de US$ 1,31 e passaram repentinamente a US$ 1,70. A mudança afugentou consumidores, que tiveram de adiar o sonho de consumo. O setor aguarda a estabilidade do dólar para partir para ações concretas que permitam a retomada das vendas.
Esta semana a associação nacinal das revendas BMW recomendou às 23 concessionárias distribuídas no País que interrompesem a comercialização. Não adianta vender por um valor e correr o risco de ter de pagar a mais na hora do pagamento do veículo, explicou o gerente geral da Euro Import, revenda BMW de Londrina, Marcos Silva. Segundo informou, as concessionárias da marca aguardam nova orientação a partir desta segunda-feira.
O gerente acredita que, considerando altas sucessivas durante a semana, o primeiro trimestre deste ano deverá ser tumultuado para o setor. Quem não tiver um suporte financeiro certamento fechará as portas, afirma. A longo prazo, ele acredita que as vendas poderão voltar ao mesmo volume registrado antes da alta. Isto porque o carro importado é um sonho para o consumidor.
O gerente de vendas da Jabur Toyopar (revenda Toyota), Eduardo Tauil, disse que esta semana somente os itens nacionais da marca foram comercializados. São as pick ups Bandeirante e o Corolla, já fabricados no Brasil. Enquanto o dólar estiver alto certamente não haverá comprador para os importados, afirmou ele. Segundo informou, além do valor alto, os juros cobrados pelo leasing - modalidade muito comum neste ramo - também subiram de 2,60% para 3,60% ao mês.
No setor há 10 anos, o gerente disse que esta foi a primeira vez que assistiu uma estancada de vendas tão repentina. O pior é que não depende de nós, já que temos de esperar as ações do governo para depois vermos como atuar, afirmou o gerente. (P.L.)





