Ajuste cambial reduz em 10% o orçamento do Porto
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sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Dimitri do Valle 
A sobrevalorização do dólar perante o real provocará uma redução de até 10% no orçamento total do Porto de Paranaguá este ano. A administração do terminal antecipou que o impacto acarretará redução dos gastos de manutenção, num primeiro momento, e aumento nas despesas com combustíveis. As informações foram dadas ontem pelo superintendente da Admininistração dos Portos de Paranaguá e Antonina, Osires Stenghel Guimarães.
O aumento do dólar vai nos dar alguns problemas, comentou o superintendente do porto. Ele alegou que os reflexos nas atividades portuárias só poderão ser medidos com mais precisão daqui a dois meses. Janeiro e fevereiro têm baixa movimentação, justificou. No entanto, entre 11 da manhã e 13 horas, o trabalho no porto é interrompido para economizar custos devido à crise da moeda brasileira.
Outro exemplo da estagnação das atividades está no pátio da Volkswagen, dentro do porto. Cerca de 4 mil veículos importados da Argentina estão parados no estacionamento, que está completamente lotado. A informação oficial da administração do porto é de que os automóveis estão saindo normalmente. Não dá para dizer que está muito parado, diz Osires Guimarães.
Apesar do quadro de incerteza quanto aos rumos da economia, a administração do Porto de Paranaguá espera que haja um incremento de 10% no volume de exportações do cereal, quando iniciar o escoamento da safra de soja, a partir de março. De março até junho, estima-se que serão despachadas do terminal cerca de 5 milhões de toneladas de soja. Em relação ao farelo de soja, a movimentação aguardada é de 4,5 milhões de toneladas, entre o mês que vem e novembro.
Para dar conta do aumento de trabalho que o escoamento da safra irá provocar, a administração do porto inagura a primeira fase das obras de modernização do canal de exportações, no início de março. As reformas têm um custo total de US$ 10 milhões e serão bancadas pela iniciativa privada e o porto. O volume de embarque nos berços 12, 13 e 14 vão saltar de 2,4 mil toneladas por hora para 6 mil toneladas/hora.
A conclusão dos trabalhos de melhorias está prevista para agosto. As principais mudanças estarão direcionadas na agilidade do carregamento de soja e trigo. Cinco guindastes para levar os produtos até os tanques do navio estão sendo instalados.
O quinto equipamento está previsto para chegar da China no próximo dia 25. Os planos da administração do porto, este ano, também são o de privatizar o pátio de triagem. A licitação do ano passado foi anulada. Osires Guimarães explicou que as propostas não estavam adequadas. Entre as que desagradaram a administração, estaria a cobrança de pedágio dos caminhoneiros.


