DiagnósticoAjuste da moeda não será o único trunfo da soja. Clima pode gerar especulação favorável, prevê Mologni O ajuste cambial entre 2,8% e 3,5%, até dezembro, conforme projeta o governo, beneficia as exportações, inibe as indesejáveis importações agrícolas e estanca a crise de setores como o têxtil, entre tantos outros, prejudicados com um câmbio valorizado, entre 25% e 46%.
A opinião é do professor Ismael Mologni, de Londrina, especialista em mercado de commodities. Desde o início do ano ele vinha alertando para os riscos decorrentes da manutenção de um câmbio valorizado. ‘‘O Banco Central enxergou a luz amarela que os analistas estavam apontando e, ao que tudo indica, não quer cometer a mesma imprudência do México, em 1994, e da Tailândia, recentemente’’, observou Mologni, ao ser entrevistado ontem por este jornal.
Mologni admite que houve pressão dos técnicos do FMI e investidores estrangeiros, pela semelhança entre a situação do Brasil e daqueles dois países, que mantiveram a disparidade cambial por vários anos. ‘‘Mas a desvalorização é perfeitamente justificável’’, observou. ‘‘O BC percebeu a necessidade do ajuste e agiu rápido e isto é defensável’’, reconheceu Mologni, para quem os técnicos do BC saíram do ‘‘enclausuramento teórico’’.
Se isto tivesse ocorrido alguns meses atrás poderia ser melhor. As exportações de soja, por exemplo, teriam aumentado a sua receita em dólares que o País precisa para o equilíbrio da balança. ‘‘Não que se defenda uma maxidesvalorização - esclareceu - mas justamente para evitá-la’’.
Mologni observou, no entanto, que para implementar a economia serão necessárias outras medidas no campo financeiro como a redução dos juros e ações macro, que enumerou, para amenizar a iliquidez. Ele criticou as taxas de juros. ‘‘O País precisa trabalhar com juros compatíveis com a globalização’’.
Preço da soja Mologni fez prognóstico otimista com relação ao mercado da soja. O ajuste gradual do câmbio vai compensar a queda no preço já prevista e certamente assimilada pelo mercado.
Além do ajuste gradual do câmbio, a soja da próxima safra terá a seu favor possíveis ‘‘pressões de preços’’ (especulações) por conta de eventuais adversidades climáticas na safra norte-americana do ano seguinte, 98/99.
Faz cinco anos que os Estados Unidos não têm problema climático. Dentro do ‘‘espaço probabilístico’’, talvez ocorram problemas de produção na próxima safra, admite, com base no histórico sobre excesso de chuvas e estiagem. Pode ocorrer o que o eufemismo chama de ‘‘variações climáticas’’, mas que na realidade seria mesmo uma frustração parcial de safra norte-americana.
‘‘Podemos ter um mercado fortemente comprador justamente por causa desses riscos que ensejam especulações. Enchentes no Mississipi ou seca no ‘‘cinturão verde’’ de Iowa e Illinois movem as especulações na Bolsa de Chicago. Com base neste quadro de variáveis, Mologni sugere que a tendência ano que vem será a de retardar comercialização da safra. Como a safra está começando, ele sugere que os agricultores não deixem de usar a tecnologia. Vai valer a pena investir na lavoura.
Na última temporada, apesar da boa produção mundial de soja, os preços estiveram altos. Para isto contribuiu a política de juros baixos praticada pelo Banco Central americano, para manter a atividade produtiva. Juros baixos fizeram os fundos de pensão, poderosos investidores, migrarem para o mercado de commodities sustentando o preço da soja.

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