O Fundo Monetário Internacional (FMI) estará pronto para agir ‘‘tão depressa quanto possível para dar apoio financeiro ao Brasil, assim que o governo anunciar seu projeto de reforma fiscal. Mas ele quer ter o programa nas mãos, examiná-lo e analisar como o povo brasileiro vai reagir ao programa, disse o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, em entrevista coletiva em Washington.
Foi uma entrevista muito diferente das habituais. Camdessus estava extraordinariamente descontraído. Além disso, adiantou-se à pergunta que muitos queriam fazer: ‘‘Sei que vocês vão querer saber se posso falar sobre o atual estado de nossos entendimentos com o Brasil. Posso e vou fazê-lo já - e leu o comunicado conjunto que também estava sendo divulgado pelo governo brasileiro.
Quase ao final da entrevista, um jornalista sugeriu a Camdessus se, em virtude do crescente descrédito do FMI sob sua gestão, o diretor-gerente não deveria considerar a possibilidade de renunciar. ‘‘Tenho sido convidado a deixar este cargo com frequência, por amigos e por jornalistas. Devo lhes dizer, para sua tranquilidade, que certamente chegará o dia em que deixarei este cargo’’.
Embora tenha tentado se livrar de perguntas sobre Brasil com a leitura do comunicado (a primeira admissão formal de que Brasil e FMI estão em negociações), Camdessus não se livrou delas. Além de afirmar que o Fundo, por ter muita familiaridade com a situação brasileira, está em posição de reagir ‘‘de pronto’’ à divulgação do programa fiscal brasileiro, o diretor-gerente falou sobre a estrutura do pacote de ajuda.
‘‘Não estou em condições de comentar o que outras instituições vão fazer. Elas também vão querer saber mais sobre o programa do governo brasileiro. Mas a situação do Brasil não é como a de países que só podem se safar com aporte financeiro imediato. O Brasil precisa de auxílio de caráter mais de precaução’’ , afirmou Camdessus aos jornalistas.
Ele disse ainda que a participação da iniciativa privada no pacote de ajuda ao Brasil é ‘‘crucial e que o país tem todos os atrativos para que ela ocorra: ‘‘Os incentivos estão todos lá, porque o país é forte, o programa do governo é forte e o interesse das empresas particulares é forte , disse.
A respeito da questão social no Brasil e como o FMI pode ajudar a melhorá-la, Camdessus argumentou que ‘‘nada poderia ter sido mais importante para os pobres no Brasil do que o fim da hiperinflação e a estabilização dos preços , políticas que o Fundo recomendou por anos e ajudou a praticar.
O Brasil ‘‘é um dos países do mundo com distribuição de renda menos equânime, para colocar as coisas de maneira educada’’, afirmou Camdessus, dizendo esperar que o programa de reforma fiscal do governo ajude a modificar essa situação. Camdessus acha que o FMI e o Banco Mundial são duas instituições diferentes, ‘‘com dois gerentes muito diferentes’’, mas que ambas servem o mesmo propósito (eliminar a pobreza) apesar de suas ‘‘vocações diversas’’.
Sobre a reunião encerrada ontem, Camdessus declarou: ‘‘Nada poderia ter acontecido a mais do que de fato aconteceu. Nós estamos lidando com uma tarefa monumental, que é a de mover 182 países de um consenso sobre princípios para a implementação de medidas concretas com esse fim .

mockup