O saneamento do Brasil é condição de convivência no mundo moderno e acabará ocorrendo de qualquer forma, na opinião do comentarista político e cineasta Arnaldo Jabor. ‘‘O Estado será enxugado por bem ou por mal, já que corremos o risco de sofrer ações externas para forçar os ajustes. Não podemos esquecer que fazemos parte de um mundo globalizado, onde os países dependem um do outro’’, lembrou.
Jabor fez palestra sobre ‘‘Análise da conjuntura política do Brasil’’, anteontem, durante o Maxi Economia - 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico de Londrina.
Para ele, a ajuda anunciada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) é perigosa. ‘‘O ideal seria que o presidente Fernando Henrique Cardoso tivesse tido pulso para fazer as reformas e evitado que precisássemos recorrer ao FMI mais uma vez. O acordo com o Fundo é uma porta aberta para um possível arrombamento do Brasil’’, afirmou Jabor, que durante duas horas fez uma retrospectiva da história brasileira desde o descobrimento.
O comentarista criticou distorções como a destinação de metade dos recursos da Previdência Social para pagar 15% dos aposentados do País. ‘‘Os outros 85% recebem o restante. Esses absurdos precisam acabar’’, ressaltou. Segundo Jabor, um dos pontos positivos da globalização é estar trazendo para o Brasil um pensamento mais pragmático e administrativo, baseado no trabalho e que vai contra o patrimonialismo trazido ao Brasil pelos portugueses. ‘‘Aqui o trabalho sempre foi considerado uma coisa menor, para escravos’’.
A abertura do Maxi Economia foi feita pelo diretor de criação da agência de marketing e propaganda Lowe-Loducca, Mário D’Andrea, que apresentou cases da agência. Promovido pela 1ª Turma MBA em Finanças/IBMEC de Londrina, o evento continua nas próximas semanas. No dia 16, estão programadas palestras do técnico de projetos especiais da Bovespa, Sérgio Cerqueira Silva; e da jornalista e comentarista econômica do Jornal da Record, Sallete Lemos. No dia 25, participam do encontro como conferencistas o diretor jurídico da BM&F, João Lauro Vieira Pires do Amaral, e o jornalista econômico Luis Nassif.
Leia mais sobre Arnaldo Jabor na coluna Capital de Giro, nesta página, e na edição de domingo da Folha 2.

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