Ajuda do Banestado à Cidadela é suspeita de irregularidade
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quinta-feira, 14 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
A Construtora Cidadela, de Curitiba, recebeu do Banestado recursos numa operação de socorro, apesar de ter uma dívida de R$ 45 milhões com o banco do Estado. A operação, que a direção do banco classifica como Crédito Associativo, foi denunciada como fraudulenta em documento encaminhado ao Ministério Público Federal porque o banco não poderia manter negócios com a empresa, já que ela devia ao governo do Estado. A dívida original era com o Banestado mas foi transferida ao governo por conta do saneamento. As diretorias do Banestado e Cidadela asseguram que a operação entre elas é legal e foi mantida para evitar que a construtora se transformasse numa Encol paranaense.
O projeto para recuperar a Cidadela foi elaborado entre janeiro e maio do ano passado pelo então gerente do Banestado no setor de recuperação de empresas Antonio Rycheta Arten. Hoje ele atua como gestor da Cidadela. Encontramos uma forma alternativa para manter a Cidadela viva e para garantir a parte social, afirmou Arten. Ele disse que estava em jogo o atendimento a pelo menos 600 clientes da construtura que não tinham a garantia de receber seus imóveis pois as obras estavam paradas.
O diretor de Crédito Imobiliário do Banestado, Ricardo Khury, disse que, para evitar questionamentos legais, a alternativa do Banestado foi redirecionar o financiamento para o cliente, processo conhecido como Crédito Associativo. A Cidadela passou a ser apenas a construtora e não a tomadora de crédito. Quem passou a dever para o banco foi o mutuário, explicou. Khury afirmou que o Banco Central e toda a direção do Banestado aprovaram a operação.
A denúncia anônima encaminhada ao Ministério Público afirma que o esquema foi fraudulento, pois pessoas físicas davam procuração para a Cidadela abrir contas bancárias em nome delas. O banco repassava dinheiro para os clientes da Cidadela, mas como a construtura tinha a procuração ela sacava os valores correspondentes e repassava para outras empresas do grupo (Mosaico, Brejatuba e CAP) para tocar as obras. Teriam passado pelas contas R$ 9 milhões de janeiro a maio deste ano. O gestor da Cidadela calcula que a carteira de crédito chegou a um total de R$ 12 milhões e afirma que os repasses são legais.
Para provar a legalidade do acordo, Antonio Rycheta Arten diz que toda a documentação tem escritura pública em cartório. O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, também garantiu a lisura do processo. Há seis meses recebi esta denúncia, fui averiguar e vi que estava tudo dentro da lei. O banco adotou uma estratégia para não prejudicar centenas de pessoas que tinham comprado imóveis da construtura, afirmou.


