Os planos de ajuda de diversos países europeus ao setor financeiro surtiram o efeito desejado e o otimismo tomou conta do mercado global ontem. As bolsas de todo o mundo tiveram forte alta e, internamente, o dólar comercial desvalorizou 7,74%, fechando a cotação em R$ 2,146. A consequência da ação, na avaliação de economistas ouvidos pela FOLHA, contribuiu para a recuperação dos mercados, porém não em definitivo. Desta forma, a orientação para os pequenos investidores é continuar aguardando o melhor momento e não mexer em aplicações financeiras.
Para o economista Azenil Staviski, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Pontifícia Universidade Católica (PUC), as medidas dos governos facilitaram a retomada do crédito internacional. ''Os planos contribuíram para amenizar a crise financeira, mas não são as soluções definitivas para os problemas'', avalia. Mesma opinião tem outro economista Antônio Carlos Moretto, também professor da UEL. ''O clima ainda é de desconfiança entre os agentes econômicos'', afirma. Azenil Staviski diz que a estatização de alguns bancos internacionais garante mais liquidez ao mercado e mostra que ''nem tudo está perdido''.
Segundo ele a estatização proposta pelos governos não traz soluções definitivas porque terá custos à sociedade. ''Os governos terão que fazer a cobrança dos títulos podres porque se os inadimplentes não pagarem o contribuinte terá que pagar esta conta'', afirma o economista. Por isso, o mercado financeiro ainda está suscetível às oscilações e ainda é preciso que a confiança interbancária seja restabelecida.
Consumidor
Para os consumidores que assistem o desenrolar da crise financeira os economistas dão algumas dicas. Antônio Carlos Moretto informa que o sistema de crédito nacional já modificou algumas regras de financiamentos, como a redução dos prazos e o aumento da taxa de juros. ''O consumidor ainda deve esperar mais. Os que necessitam efetivamente de financiamentos devem fazê-lo pelo menor tempo possível porque pagarão menos juros'', considera. Quem tem investimentos em bolsas também deve esperar mais.
Isto deve ser feito porque como os ativos de renda variável (ações negociadas em bolsas) estão em alta, os investimentos poderão acumular prejuízos. A orientação do economista é aguardar pelo menos seis meses até que o mercado já esteja definido. ''Investidores de outras aplicações devem mantê-las porque há possibilidades de ganhos devido ao aumento da taxa de juros'', avalia Moretto. Ele reforça que o sistema financeiro brasileiro é um dos mais confiáveis e sólidos do mundo e, por isso, correntistas em geral não devem ficar temerosos quanto à segurança de suas economias.
Na sua avaliação, a cotação do dólar deverá estabilizar mas cotação depreciada não deverá ocorrer tão cedo. A projeção do economista é que a moeda fique entre R$ 2 e R$ 2,15. Moretto acredita que a recessão é iminente e vai afetar a economia brasileira. Mas isso não significa que o Brasil passará por uma crise financeira, semelhantes às vividas até os anos 90.
A projeção é apenas que a economia cresça menos do que a estimada inicialmente a partir do próximo ano, projetada pelo governo federal em 4,5%. ''O que pode acontecer é o aumento do desemprego e dos preços de produtos não só os importados, mas de medicamentos, eletrônicos, automóveis, informática e fertilizantes, que levam insumos importados em sua composição'', explica Moretto.
Para Azenil Staviski uma crise econômica poderá aumentar a restrição ao crédito, podendo frear investimentos já programadas pelas empresas e limitando empréstimos para capital de giro. Apesar disso, ele lembra que o Brasil tem parâmetros macroeconômicos sustentáveis e que os bancos e as empresas nacionais (mesmo os que acumularam prejuízos com a crise) são sólidos.

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