Ajuda de Armínio Fraga é solicitada novamente
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2002
Agência Folha 
Buenos Aires Em suas primeiras entrevistas desde que assumiu o cargo, o ministro da Economia da Argentina, Jorge Remes Lenicov, disse que o governo conduzirá um processo de pesificação da economia, e não de dolarização. Nós temos uma crença de que o país precisa ter sua própria moeda, e essa moeda é o peso, argumentou o ministro argentino em entrevistas aos diários Clarín e La Nación. Lenicov ratificou o que havia sido admitido no dia anterior pelo presidente Eduardo Duhalde, de que os depósitos em dólares não serão devolvidos aos investidores na moeda de origem. Segundo o ministro, o governo estuda mecanismos para compensar os depositantes em dólares para manter o poder aquisitivo.
Ao ratificar que pesificará toda a economia (os depósitos e as dívidas), o governo por outro lado alivia o que poderia ser uma crise terminal no setor bancário. Os bancos sustentavam que não teriam como devolver depósitos em dólares se recebiam os ativos em pesos (porque os empréstimos até US$ 100 mil foram pesificados na paridade de um a um). Resta saber qual será a reação da população. No caminho para a transição a um câmbio flutuante, o governo tem mantido um sistema de câmbio duplo: há o dólar oficial, fixado a 1,40 peso, e o livre, que na sexta fechou em 2,10 pesos.
Se a parcela que mantém depósitos em bancos, fixados em dólar, mantiver a postura de reclamar que sejam devolvidos na moeda americana, o governo pode enfrentar problemas: a reinvidicação poderia potencializar novos protestos, como os que acompanharam as quedas de Fernando de la Rúa e Adolfo Rodríguez Saá.
O presidente do Banco Central, Arminio Fraga, deve ser convidado mais uma vez a ir a Buenos Aires esta semana para se reunir com a equipe econômica e auxiliar em medidas sobre pesificação, curralzinho (o congelamento de depósitos) e crise do setor bancário.


