Curitiba - O ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, esteve anteontem à noite no Paraná para comunicar ao governador Roberto Requião os termos da ajuda do governo federal para os pequenos agricultores que tiveram perdas com a prolongada estiagem. Ficou estabelecido que a ajuda do governo federal vai atender prioritariamente os pequenos agricultores que financiaram o custeio e investimentos junto ao Programa Nacional de Fortalecimento à Agricultura Familiar (Pronaf).
As entidades que representam a Agricultura Familiar não gostaram da restrição no auxílio. A Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Estado do Paraná (Fetaep) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf/Sul) disseram que o governo não está fazendo nenhum favor porque o Pronaf já prevê amparo em caso de perdas no Manual de Crédito Rural. Elas querem também ajuda para os agricultores que não estão amparados pelo Pronaf.
O ministro Rosseto acenou com a possibilidade de ajudar essas famílias.''Estudaremos assegurar alguma renda para eles, mas precisamos que os sindicatos, as prefeituras e associações façam um levantamento até semana que vem de quais famílias realmente precisam de um apoio'', disse o ministro.
O coordenador da Fetraf no Paraná, Luiz Pirin, estima que mais de 10 mil famílias de pequenos agricultores do Oeste e Sudoeste não têm qualquer tipo de financiamento e estão passando dificuldades pela perda das lavouras. Segundo Rosseto, até agora foram registrados no Paraná 13 mil pedidos de cobertura dos prejuízos no Banco do Brasil, mas estima-se que no total 25 mil agricultores familiares solicitem este auxílio.
O auxílio anunciado pelo MDA vai se restringir aos municípios que declararam estado de calamidade pública ou de emergência reconhecido pelos governos estadual e federal. Atualmente a Defesa Civil do Paraná está enviando documentação de 48 municípios no Estado reconhecidamente atingidos pela seca.
O governador Roberto Requião anunciou que o Estado vai distribuir sementes e calcário para os agricultores pobres que não tiveram acesso a nenhum tipo de financiamento bancário.
Os agricultores familiares que assinaram seus contratos após 2 de setembro do ano passado estão amparados pelo Proagro Mais, seguro que cobre o valor do financiamento e mais 65% da renda esperada com a lavoura, limitada a R$ 1,8 mil.
Já os agricultores não cobertos pelo Proagro Mais terão os financiamentos de custeio prorrogados para pagamento em até dois anos e a parcela do investimento que vence este ano será jogada para o período final do financiamento. Outra modalidade de auxílio é o aumento do rebate para quitação do financiamento de custeio ainda este ano, que sobe de R$ 200,00 para R$ 650,00.

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