Ajuda ainda não será suficiente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 16 de novembro de 1998
Reali Jr. Agência Estado 
O apoio dos países que integram o G10 e dos grandes organismos de crédito internacionais, como FMI e Banco Mundial, manifestado através do plano de ajuda econômica ao Brasil, não será suficiente para facilitar o rápido restabelecimento das linhas de crédito de curto prazo que beneficiam os bancos brasileiros no exterior. Estas linhas foram reduzidas entre 30 e 40% desde o início da crise financeira e as taxas de risco quase quadruplicaram quando se trata de renovação, dificultando as operações dos bancos brasileiros que trabalham no exterior.
Vários bancos europeus, principalmente franceses, Paribas, Sudameris e Crédit Lyonnais, devem permanecer com suas linhas fechadas e seus spreads elevados. Alain Sanchez, responsável pelas linhas de curto prazo no Paribas, admite que a normalização das linhas de curto prazo se dará lenta e gradativamente, à medida que o governo brasileiro for cumprindo as metas anunciadas. Isso apesar de ter ocorrido uma forte evolução do spread, cuja taxa passou de 0,5% no início da crise para 2% atualmente. Na sexta-feira, após a divulgação dos números do programa de ajuda econômica, Sanchez revelou que mesmo com um spread multiplicado por quatro não havia disposição do Paribas em abrir novas linhas de curto prazo com bancos brasileiros nesse momento. Isso apesar do Banco do Brasil ter rejeitado dinheiro de outros bancos, na sexta-feira, que se dispunham a operar linhas de crédito de curto prazo, mas com um spread de 1,5 %.


