O eventual pacote global de ajuda financeira à Argentina, que tem como eixo as negociações em Washington com o Fundo Monetário Internacional (FMI), seria de US$ 15 bilhões, informaram ontem vários órgãos de comunicação de Buenos Aires, que não citaram fontes. O pacote para recompor o sistema financeiro argentino e restabelecer a confiança dos correntistas e investidores seria formado por três vertentes, no caso de prosperarem as negociações realizadas desde a sexta-feira passada em Washington por uma missão do Ministério de Economia com diretores e técnicos do FMI.
O eixo da ajuda global estaria integrado por cerca de US$ 6 bilhões do Fundo como parte de um empréstimo do Sistema Complementar de Reservas, outros US$ 3 bilhões viriam de bancos privados com os quais a Argentina contratou um seguro de depósitos, US$ 2 bilhões do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento por empréstimos já concedidos, mas que correspondem a 2002.
O restante, US$ 4 bilhões, seria uma antecipação pelo FMI de recursos já aprovados pela chamada blindagem financeira de US$ 40 bilhões no total, firmada no final do ano passado para evitar a moratória. A possibilidade de o FMI aprovar a ajuda, em meio a duras negociações, melhorou o clima nos mercados.
Conselho O presidente americano, George W. Bush, conversou ontem com funcionários do primeiro escalão de seu governo sobre a crise econômica na Argentina, como informou à imprensa o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer. ''O presidente falou por telefone hoje (ontem) de manhã sobre economia e a situação da Argentina. O presidente continua pedindo à Argentina que trabalhe com o FMI'', acrescentou o porta-voz.
Os fundos estariam destinados a reforçar as reservas e trariam confiança e liquidez ao sistema financeiro argentino, afastando o fantasma de uma moratória sobre a vultosa dívida de US$ 128 bilhões e de uma desvalorização do peso (um por um com o dólar por lei desde 1991).
Um funcionário do Fundo, que pediu para não ser identificado, garantiu que os supostos detalhes divulgados ontem não estão corretos, mas a representante financeira da Argentina em Washington, Noemí La Greca, disse à AFP que não pode confirmar tal informação. Para Horácio Liendo, assessor externo do ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, são ''exageradas'' as expectativas sobre uma rápida conclusão das negociações com o FMI.

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