Ainda há espaço para o franchising?
Ainda há espaço para o franchising?
Tiny Machado de Campos
O sistema de franchising surgiu no Brasil por volta dos anos 50. Entretanto, somente experimentou verdadeira explosão há mais ou menor 25 anos. E por que tanto entusiasmo pelo franchising? Seria pelo faro de que esse sistema de fazer negócios agrega ao mercado brasileiro as mais recentes tecnologias, absorve mão-de-obra, oferece treinamento a esse pessoal e está desenvolvendo permanentemente novos produtos e serviços? A resposta é: sim. Mas não apenas isto.
O franchising é também o mais puro exemplo da globalização. Hoje, pode-se contar, aqui no Brasil, principalmente no eixo Sul/Sudeste, com os mais recentes e bem sucedidos negócios de varejo no mundo inteiro. Redes de fast food, prestadores de serviços, perfumaria e cosméticos, lazer, turismo e hotelaria, esporte, saúde e beleza, informática e eletrônica, locação de veículos, lojas de conveniência, construção, impressão, fotografia, educação, vestuário, produtos e serviços para veículos. Enfim, quase todos os ramos da economia têm representantes do sistema de franchising.
Atualmente, há no Brasil mais de 800 franqueadores e aproximadamente 30 mil franqueados, que movimentam mais de R$ 10 bilhões, gerando 10 mil postos de trabalho e quase 180 mil empregos diretos, respectivamente, segundo o último censo da Associação Brasileira de Franchising (ABF), realizado em 1997.
Outro fato que demonstra a força deste segmento no Brasil é a realização, em nosso País, todos os anos, da segunda maior feira de franquias do mundo. Mas, será que o franchising é um sistema só de crescimento e de boas notícias? Após uma década de crescimento contínuo, está numa fase de maturidade. É como se o sistema, ainda criança, tivesse crescido sem parar até se tornar conhecido, impor certas regras, fazer algumas besteiras, ganhar uma lei só para regulamentá-lo e, finalmente, começar um processo de crescimento controlado e muito mais sólido.
Se, por um lado, as pessoas continuam sonhando em ter um negócio próprio (e o franchising é a melhor forma de se chegar lá, de outro lado, muitos empresários que se aventuram no franchising sem conhecer as regras básicas de funcionamento, buscando apenas sócios capitalistas para franquias mal formatadas, brasileiras ou estrangeiras, não conseguiram sobreviver. Mesmo assim, os espaços deixados por eles foram preenchidos por novas empresas interessadas em levar suas marcas para outras praças, com a ajuda do franchising.
Como só faltaram dois anos para a virada do século, poderíamos afirmar, sem medo de grandes erros, que o franchising do ano 2000 será mais maduro e profissional. Numa economia globalizada, não existe lugar para amadores e o espaço para aventureiros tende a diminuir. Podemos esperar a entrada de novas marcas estrangeiras, uma vez que o Brasil ainda é um dos mercados de maior potencialidade de crescimento, não só por sua extensão territorial, mas, sobretudo, por conta de sua população.
Quanto aos setores que mais deverão crescer, podemos salientar que ainda sobra algum espaço para as áreas de informática e eletrônica, mas, principalmente, o setor de prestação de serviços diferenciados, como farmácias especiais para diabéticos, de produtos para cegos, serviços de funilaria e pintura para carros e outros serviços automobilísticos em geral, produtos para animais de estimação, entretenimento e lazer (parques, restaurantes e bares temáticos, hotéis ecológicos, dentre outros), comida congelada (dietética, light e outras similares), são os que mais possibilidades oferecem, embora ainda persista o eterno fascínio pelas áreas de alimentação, perfumaria e vestuário. Se o dinheiro disponível é pequeno, o caminho pode se abrir um Homebased Business, isto é, um pequeno negócio em sua própria casa, que se aplica muito a negócios nas áreas de telecomunicações, marketing direto, pesquisa de mercado, editoração, tradução de textos, informática e Internet, dentre outros.
Apesar dos percalços, é importante lembrar que o franchising é um sistema em que não existe discriminação de sexo, idade ou raça. O seu mercado vem crescendo muito, gerando novas empresas e muitas oportunidades de trabalho e de emprego, colaborando com o crescimento do País. Para aqueles executivos que gostariam de se tornar empresários, é um ótima oportunidade profissional. Contudo, é importante avaliar bem o negócio antes de investir, com paciência e persistência na análise das oportunidades. Este é um conselho útil, principalmente para que imagina que operar uma franquia é ficar sentado ouvindo a máquina registradora tilintar. Como qualquer negócio, é fundamental ter garra, espírito empreendedor e muita dedicação.
- TINY MACHADO DE CAMPOS é consultora de franchising e sócia-diretora da Cintra Leite Consultores Associados/Horwath Franchising Service.





