Brasília - A economia está reagindo, apesar do mau humor que domina parte do setor produtivo nacional e do bate-cabeça dentro do governo. Alguns dados ainda não são exuberantes. A recuperação ocorre de maneira desigual e oscila de um mês para outro. No entanto, acreditam analistas, a situação é menos ruim do que a sensação que domina os mercados. ''É mais do ambiente do que da economia real'', afirmou o ex-ministro da Fazenda Mailson da Nóbrega, sócio da Tendências Consultoria Integrada.
Na semana que passou foram divulgados dados positivos. O número de veículos licenciados em março foi 37,9% maior do que em março do ano passado, segundo apurou a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas em shopping centers apresentaram crescimento real de 0,78% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2003, segundo cálculos da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).
Por outro lado, a atividade industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), teve queda em fevereiro, em termos dessazonalizados, quando comparado com janeiro. ''A retomada não é constante'', tranquiliza o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo Levy. ''Há oscilações, mas a trajetória é de recuperação.'' Ele observou que a atividade industrial, que é uma espécie de ''núcleo duro'' da atividade econômica, teve recuperação forte no terceiro e quarto trimestres de 2003. Em janeiro, o dado surpreendeu pelo lado positivo e em fevereiro houve uma pequena queda. ''Mas o que observamos nos setores líderes é que há uma trajetória mais ou menos constante de recuperação.''
Mailson acha que ''não há razões para acreditar que a retomada do crescimento não vá ocorrer.'' Ele afirmou que a recuperação já está em curso e esse será um ano de crescimento forte, por causa de circunstâncias que já estão colocadas. O primeiro é uma tendência de recuperação da renda real. Categorias trabalhistas estão tendo reajustes de acordo com a inflação passada, como é o caso dos funcionários da Volkswagen, que tiveram 18%. ''Mas a inflação corrente é de 6%'', disse o ex-ministro. Portanto, ele tem um ganho real que se transformará em consumo. Outro fator favorável é a tendência de queda da taxa de juros e a retomada dos investimentos.
Pesquisa da Federação da Indústria do Estado de São Paulo (Fiesp) mostrou que 89% dos empresários pretendem investir. A única coisa que pode atrapalhar, acredita Mailson, é algum fato político novo muito grave que deteriore as expectativas de consumidores e investidores.
''O quadro é de um crescimento que não me parece desprezível'', concorda Levy . ''E a grande vantagem é que se trata de um crescimento mais saudável do que o que tivemos no passado porque é baseado nas exportações e no investimento.''

mockup