Água com menos tratamento pode ficar mais barata
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Vânia CasadoDe Curitiba 
A Sanepar poderá fornecer água mais barata para as indústrias na Região Metropolitana de Curitiba. A partir do início de 2002 começa a fornecer água com menos tratamento químico para três grandes empresas de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, que terão um custo 30% inferior ao atual da água fornecida às indústrias. Para isso, a Sanepar está construindo uma estação de tratamento de água no Rio Iguaçu, que vai permitir o fornecimento de água potável mas que não é aconselhada para o consumo humano porque o local da captação, em Araucária, está bastante comprometido com impurezas.
Para tornar essa água potável de acordo com o consumo humano, a Sanepar deveria investir em muitos tratamentos químicos e o custo desta água iria inviabilizar o fornecimento. Daí, que a empresa optou por direcionar a água para o processo industrial, explica a engenheira Leura Conte de Oliveira, coordenadora de Novos Negócios da Sanepar. A técnica salienta que a água é tratada, mas não o suficiente para ser direcionada para o abastecimento humano.
A estação de tratamento está sendo construída em parceria entre a Sanepar e as empresas beneficiadas, que são a UEG-Temelétrica que será operada pela Copel, Cisa, empresa da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Ultrafértil. O custo do investimento está avaliado em R$ 8,6 milhões, sendo que R$ 2,3 milhões são recursos da Sanepar e o restante, dividido entre a Cisa e a UEG Araucária. A Ultrafértil, como não está participando com recursos na construção, vai pagar mais caro pelo consumo da água, porque nos custos operacionais será incluído o custo do financiamento que está sendo desembolsado com o investimento.
Essas empresas são as maiores clientes que a Sanepar tem no Paraná, daí o esforço em criar alternativas para baratear o uso da água, diz Oliveira. Juntas, elas consomem 650 mil metros cúbicos por mês. De acordo com a advogada, trata-se do primeiro projeto alternativo e outros já estão em estudos, um na Cidade Industrial e outro para o abastecimento de indústrias, em Londrina.
Com isso, as indústrias que muitas vezes não precisam de água mais nobres (que é preservada para o consumo humano) também não precisam pagar o custo da tarifa da água para fins industriais, que atualmente é de R$ 2,10 por metro cúbico. A redução desse valor vai depender dos investimentos feitos em parceria com a Sanepar e do volume utilizado, assinala.
Leurer Oliveira destaca que esse projeto alternativo representa um ganho ambiental porque a Sanepar poderá aproveitar águas menos nobres para o processo indústrial, geralmente para as indústrias que usam muita água para resfriamentos de equipamentos. E a água de mananciais mais nobres fica preservada para o consumo humano, explica.


