Agrotóxicos provocam 400 mortes em 5 anos
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sexta-feira, 23 de julho de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde revela que 400 pessoas morreram nos últimos cinco anos, vítimas da contaminação por agrotóxicos. Só este ano, foram 19 vítimas e outras 65 no ano passado. Trabalhos científicos estão vinculando a contaminação dos agrotóxicos a um número grande de suicídios na área rural, disse a médica Marlene Entres, do Centro de Controle de Envenenamentos de Curitiba.
O assunto virou tema de campanha da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) que juntamente com a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) promovem o Seminário Estadual sobre Agrotóxicos, no próximo dia 29, em Curitiba. O vice-presidente da Fetaep, Antonio Zarantonello, disse que os órgãos públicos estão sendo convidados a explicar as causas do elevado índice de contaminações.
Segundo Zarantonello, as intoxicações não ocorrem somente pelo uso inadequado dos agrotóxicos, mas também pelas várias formas de contaminação que podem ocorrer pelo ar, pelo contato durante a lavagem de roupas ou pela inalação se os produtos estão próximos das casas. A preocupação maior recai sobre a contaminação crônica, aquela em que as pessoas são expostas por anos a fio sem perceber. São muitos os casos de paralisia, que levam a depressão e em muitos casos, aos suicídios.
Para o representante da Fetaep, a dificuldade na identificação dos casos está na subnotificação dos órgãos de saúde. Marlene confirmou a subnotificação. Segundo ela, o profissional médico não relaciona a paralisia ou depressão apresentada pelos pacientes à exposição crônica aos agrotóxicos. ''O Paraná é um estado agrícola e não se pode ignorar que a exposição aos organofosforados, princípio ativo dos agrotóxicos, é danosa ao ser humano.''
Zarantonello salientou que os agricultores têm pouca informação sobre os agrotóxicos consumidos. Muitos produtos aprovados no Brasil são proibidos em seus países de origem. Além disso, têm o contrabando e produtos que entram no País sem autorização. ''Esse tipo de consumo está provocando danos irreversíveis e o produtor precisa ser alertado'', avisou.


