Agrotóxico está matando plantações de uva
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quarta-feira, 21 de agosto de 2002
Fábio Galão<br> Reportagem Local 
São Sebastião da Amoreira - Pequenos produtores de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio) alegam estar com a produção de uva comprometida pelo uso indevido de agrotóxico por outros dois agricultores. Eles reclamam que os proprietários rurais Teruo Ouchi e Paulo Tetsuo Ouchi teriam espalhado o herbicida 2,4-D nos parreirais da região ao utilizar o produto no combate de ervas daninhas em suas lavouras.
Dados da Emater apontam que São Sebastião da Moreira tem cerca de 300 pequenos produtores, dos quais 130 mantêm parreirais. ''As plantas ficam em estado de câncer, ou seja, morrendo aos poucos. Estamos produzindo cada vez menos porque as parreiras não conseguem crescer'', critica Mário Araújo Hotero, um dos produtores que moveram uma ação judicial de indenização contra Teruo e Paulo Ouchi. O processo tramita desde 1997 na comarca de Assaí e até agora não saiu a sentença. Os agricultores reclamam que o 2,4-D está sendo utilizado até hoje pelos dois fazendeiros, além de outros produtores da região.
O problema é que o herbicida contamina outras culturas de plantas de folha redonda, como café, feijão e hortaliças. Como resultado, a economia do município, centrada na agricultura, estaria comprometida. ''O pequeno produtor é quem mais emprega na região. Cada agricultor de uva utiliza pelo menos cinco funcionários. Na colheita, esse número dobra'', diz Alício dos Santos, também produtor. Segundo Mário Hotero, a produção de uva se tornou mais intensa na região a partir de 1990. A cultura de algodão, que predominava no município, teria entrado em decadência justamente por causa do mau uso do 2,4-D.
Segundo os produtores, caso não sejam tomadas providências, os parreirais devem ir pelo mesmo caminho. Eles relatam que uma área de 300 pés de uva, entre plantio, construção de cercas e outras despesas, tem custo entre R$ 8 mil e R$ 10 mil. Numa colheita sem problemas, cada pé rende dez caixas de uva. Hoje, em São Sebastião da Amoreira tem sorte o produtor que consegue duas caixas por pé. ''Investimos e nunca vimos retorno. Agora tenho que pegar serviço de bóia-fria para sobreviver'', lamenta José Monteiro, que trabalhava como meeiro numa propriedade da região.
Sem cascas, secos e com as folhas apodrecidas (no formato definido popularmente como ''mão de macaco''), os parreirais não parecem oferecer muita esperança para a próxima colheita, em dezembro. ''Daqui vai ser difícil brotar alguma coisa. Podei parte do parreiral e não deve dar em nada'', reclama Mitio Saiki, que tem 300 pés de uva em São Sebastião. Os produtores estão até impossibilitados de arrancar os parreirais, porque o seu mau estado serviria como prova na ação judicial.


