Agrotóxico é tema de seminário
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terça-feira, 27 de julho de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O número de acidentes provocados pela contaminação com agrotóxicos no Paraná ainda é muito elevado. Levantamento da Secretaria de Estado da Saúde aponta que no período 1988 a 2002 ocorreram 11.572 intoxicações e a morte de 1.181 pessoas. Os dados estão sendo discutidos no Seminário Estadual sobre Agrotóxicos, que começou ontem no auditório da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaep), em Curitiba.
O diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Guilherme Pedro Neto, diz que 79 pessoas morrem por agrotóxicos todos os anos. Segundo ele, o mais preocupante é o aumento no número de suicídios em conseqüência do uso e manuseio inadequado dos agrotóxicos. Dos 65 óbitos por contaminação ocorridos no ano passado, 56 foram suicídios. O problema estaria acontecendo porque os produtos químicos que entram na composição dos agrotóxicos provocam depressão.
A contaminação excessiva dos agrotóxicos nos trabalhadores rurais foi o principal tema de discussão ontem durante o lançamento da campanha nacional de prevenção contra os riscos dos agrotóxicos, no Paraná. A Contag exige a fiscalização da Norma Regulamentadora Rural (NRR-33), que proíbe a utilização de agrotóxicos por menores de 18 anos, gestantes e trabalhadores com mais de 60 anos.
No Brasil, o descaso com o uso de agrotóxicos também é alarmante. Pedro Neto apontou levantamento da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que registrou 331 mil acidentes no trabalho em 2002, sendo que desses cerca de 100 mil ocorreram no meio rural. Para Pedro Neto, esse resultado seria ainda maior se não houvesse subnotificação dos casos. Para cada quatro intoxicações apenas uma é notificada, informou.
Para ele, a falta de conscientização dos trabalhadores rurais que não utilizam adequadamente os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) é uma das causas do resultado elevado das contaminações. Por outro lado, ele também critica o patronato rural, que diz não estar nem aí para o fato dos trabalhadores não se adaptarem ao uso das roupas de proteção. Pedro Neto disse que a indústria não se preocupa em criar equipamentos de proteção diferenciados para a diversidade de clima das várias regiões do País, também por falta de pressão do patronato.
Outro fator que emperra o uso dos equipamentos especiais é o pagamento por produção na lavoura. Se o trabalhador percebe que pode ganhar menos com a queda de produtividade por causa do equipamento pesado, ele deixa de usar, disse Pedro Neto.


