Imagem ilustrativa da imagem Agroquímica de Londrina é 1ª em prêmio de inovação
| Foto: Divulgação
Serviço de drones que sobrevoam lavouras de cana para identificar falhas no plantio é uma das inovações implantadas pela multinacional



Com sede brasileira em Londrina, a Adama recebeu na noite de anteontem o prêmio Valor Inovação como a empresa do agronegócio mais inovadora do País. Mais do que pela atuação focada em agroquímicos, foi a atuação na criação de soluções tecnológicas e aplicativos agrodigitais que rendeu a láurea à companhia no ranking, promovido pelo jornal "Valor Econômico", em parceria com a consultoria Strategy& da PwC.
A premiação reconhece as empresas que mais se destacaram em inovação em 17 segmentos de atuação, em quesitos que incluem ainda melhores práticas, criação de novos produtos, soluções e desenvolvimento de estratégias, entre outros. Mais de 160 empresas participaram e 79% delas têm faturamento anual acima de R$ 1 bilhão. A Embraer foi a primeira no ranking geral, seguida por 3M e Natura. No setor de agronegócio, os cinco melhores foram Adama, Monsanto, Algar Agro, São Martinho e Coopercitrus.
O gerente de Inovação da Adama Brasil, Roberson Marczak, afirma que a empresa entendeu a necessidade de ampliar a atuação em agroquímicos. "É a coroação de um trabalho de três anos que é um dos nossos pilares atuais, de ser líder nacional em serviços agrodigitais", diz Marczak.

Projetos
São quatro projetos que foram avaliados e que já fazem parte da vida dos agricultores. O Adama Alvo é um aplicativo para smartphones e tablets capaz de identificar mais de 200 pragas e plantas daninhas nas culturas de soja, milho, algodão e trigo. Também é possível usá-lo para receber mais informações de agrônomos da empresa, o que, segundo Marczak, fez com que 75 mil pessoas fizessem o download gratuito desde 2014. "Todo o desenvolvimento é voltado ao agricultor, mas estudantes de agronomia, revendedores de produtos e até concorrentes buscaram o programa", diz.
Outra inovação é o Adama Wings, serviço de drones que sobrevoam lavouras de cana-de-açúcar para identificar falhas de plantio, matocompetição ou solo exposto, para otimizar a produção. As imagens são processadas de forma a mensurar a extensão das falhas e gerar relatórios que visem a otimização da produtividade.
O terceiro serviço é o Adama Clima, que são estações meteorológicas instaladas na propriedade do agricultor para fornecer dados e previsões mais certeiras do que as gerais do tempo, todas conectadas a telefones celulares. Ainda, para pomares de maçã, o Adama Monitor faz o monitoramento remoto de armadilhas para mariposas, envia fotos diárias da placa adesiva e os produtores podem acompanhar o nível de infestação da cultura via uma plataforma web ou pelo celular, para definir a hora certa de aplicação de defensivos e economizar recursos na lavoura.

Mais mercado
Além do novo nicho, o gerente da empresa afirma que as inovações permitiram ganhar mercado no País. "O setor de agroquímicos caiu 22% aqui, mas a Adama mantém o market share porque esses serviços agrodigitais nos permitem manter ou ganhar mais clientes pela chance de acesso", diz. Com o fortalecimento do relacionamento com os consumidores, ele prevê o mesmo faturamento do ano anterior, apesar da crise econômica pela qual o País passa.
Além de nova geração de fungicidas e agroquímicos, a Adama prepara para os próximos anos novos serviços agrodigitais, voltados para a hortifruticultura, para a cana-de-açúcar, para monitoramento da evolução da planta de café ou de algodão, além de escaneamento por imagens hiperespectral para identificação de doenças.
Conforme a pesquisa do "Anuário Valor Inovação Brasil", 28,6% das empresas consultadas no setor investem acima de 4% do faturamento no desenvolvimento de soluções tecnológicas. A Adama, entretanto, não revelou dados sobre o quesito.

Histórico
A Adama faz parte do sétimo maior grupo do mundo no setor de agroquímicos. Fundada em 1970 e com a sede brasileira em Londrina até hoje, a então Herbitécnica se uniu em 1998 à gaúcha Defensa, para dar origem à Milênia Agrociências. A companhia israelense Makhteshim Agan adquiriu a marca em 2001 até que em 2011 foi incorporada pela gigante ChemChina.
O faturamento da Adama foi de R$ 1,582 bilhão no ano passado e a perspectiva é empatar o valor neste ano. Com 550 funcionários no Brasil e 4,9 mil no mundo, a empresa revela que pretende ampliar o quadro de funcionários em 30% até 2018.

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