A economia brasileira cresceu 2,3% em 2013. Em valores, o total de riquezas produzidas no País somou R$ 4,84 trilhões, conforme divulgou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado modesto ficou dentro do esperado pelo governo federal e bem acima dos minguados 1% de 2012. Agropecuária (7%) e investimentos (6,3%) tiveram os melhores desempenhos e garantiram a alta. Indústria teve a menor participação, com crescimento de 1,3%.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou a "qualidade" do crescimento de 2013, "puxado, entre outras coisas, pelos investimentos". Sobre a indústria, que registrou a menor participação no PIB desde 2000, o ministro creditou o resultado à falta de dinamismo do mercado mundial, não apenas do brasileiro, e se mostrou confiante em relação a 2014. "Teremos um cenário internacional cada vez melhor. Os mercados vão melhorar e a nossa indústria poderá crescer mais, aumentando as exportações. Agora com um câmbio melhor", acrescentou.
No setor agropecuário, os produtos que mais contribuíram para a expansão foram a soja, com safra recorde em 2013 (81,4 milhões de toneladas), o milho primeira e segunda safras, somando 80,2 milhões de toneladas, e a cana-de-açúcar, cuja produção totalizou 588,9 milhões de toneladas. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ressalta que, no quarto trimestre de 2013, o setor teve elevação de 2,4% em relação ao mesmo período de 2012, impactando fortemente no resultado final do PIB.
Já o crescimento dos investimentos, de acordo com a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, foi puxado pela produção interna de máquinas e equipamentos, com aumento de 10,2% sobre 2012, diferentemente do cenário do ano anterior, quando teve queda de 9%. Segundo Rebeca, estão incluídos no resultado tanto as máquinas e equipamentos feitos no Brasil quanto os importados.

Previsões
Apesar do ministro da Fazenda acreditar em crescimento maior que os 2,3% para 2014, o mercado não compartilha da mesma opinião. De acordo com o último Boletim Focus, divulgado esta semana pelo Banco Central (BC), o desempenho deve ficar em 1,67%. Para o economista da Confederação Nacional do Comércio, Bens e Serviços (CNC), Fábio Bentes, o crescimento do PIB deve ser de 1,8% este ano, puxado, novamente, pela agropecuária.
"Talvez a indústria se beneficie da taxa de câmbio em desvalorização, porque fica mais caro importar e as vendas internas aumentam. Quanto ao evento (Copa do Mundo), é uma aposta, não se sabe quanto vai movimentar", afirma. No entanto, para o professor de macroeconomia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Eduardo Nogueira, o melhor desempenho da indústria depende de uma desoneração da produção por parte do governo, "o que não vem acontecendo". (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Agropecuária tem alta de 7% e puxa PIB de 2013



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