A valorização do dólar e o consequente aumento no preço das commodities em 2002, aliados ao maior investimento em tecnologia, devem garantir um crescimento de 28% no valor bruto da produção agropecuária paranaense (VBP) de 2002. Estimativa inicial do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab), considerando os 19 principais produtos, revela que o total da produção do Estado será de R$ 18,7 bilhões, frente aos R$ 14,66 bilhões de 2001.
O percentual supera a média de crescimento de anos anteriores, quando o índice foi de 12%, informou a administradora Gilka Cardoso Andretta, do Deral. Para o engenheiro agrônomo Robson Mafioletti, analista técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o resultado já era esperado.
''Os preços do ano foram muito bons'', avaliou, acrescentabdo que o resultado das cooperativas paranaenses, cujo faturamento cresceu de 30% a 35% em 2002, confirmam a evolução da agricultura no Estado.
As culturas de verão (soja e milho) representaram 34% do valor total do ano passado. O milho participa com R$ 2,2 bilhões e a soja, com crescimento de 53% em relação ao ano anterior, contribuiu com R$ 4,20 bilhões. ''Por ser uma commodity, a soja valorizou muito com a alta do dólar. Além disso, atingiu bons preços no mercado internacional'', comentou Gilka.
No grupo dos produtos de origem animal, o destaque é para o frango de corte, que arrecadou R$ 1,43 bilhão. O índice é 17% superior ao ano de 2001. O boi gordo pariticipou com R$ 737 milhões e o leite, com R$ 709 milhões. A pecuária é responsável por 40% do VBP paranaense.
Dos 19 produtos analisados, o único que apresentou performance negativa foi o suíno raça, que decresceu 23%. O aumento da oferta no mercado nacional derrubou o preço médio e acentuou a crise do setor. Em 2002, o preço médio do quilo do animal vivo foi R$ 1,17, ante R$ 1,23 em 2001.
O levantamento do Deral também permite identificar os nichos de mercado mais promissores do Estado. O setor de hortaliças, por exemplo, participa com apenas 5,5% do VBP mas garante uma renda bruta média 13 vezes maior que a renda obtida com grãos, por hectare. ''É uma atividade adequada para pequenas áreas e que tem mercado a ser explorado'', analisou o documento.
Custos Apesar de grande parte dos insumos utilizados pela agricultura apresentar preços atrelados ao dólar, a maioria dos produtores paranaenses aumentou a arrecadação sem pagar mais por eles. Robson Mafioletti, da Ocepar, disse que o real começou a desvalorizar significativamente depois de junho, quando grande parte dos produtores já havia feito as compras para a safra.
O setor deve enfrentar a correção dos valores em 2003. ''Mas nem todo custo é atrelado ao dólar'', amenizou. O analista disse acreditar que apesar da alta dos insumos, a agricultura promete repetir a boa performance neste ano. ''Ainda é cedo para comemorar, mas já começamos o ano com preços acima dos patamares de janeiro de 2002'', avaliou.

mockup