Agronegócio: superávit pode atingir US$ 56 bi
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terça-feira, 05 de janeiro de 2010
<br> Agência Estado 
■ A soja continuará a ser o carro-chefe das exportações brasileiras. A receita com os embarques deve crescer para
US$ 14 bilhões, ante US$ 13 bilhões em 2009
■ Em volume, as exportações de soja em grão devem ficar em 31,75 milhões de toneladas, alta de 8% sobre as 29,4 milhões de toneladas verificadas em 2009
■ O açúcar permanecerá em segundo lugar, com exportação de 23,5 milhões de toneladas, alta de 3,2%, gerando receita de US$ 8,1 bilhões (7,5% mais que em 2009)
São Paulo - Após uma pequena retração em 2009, o saldo da balança comercial do agronegócio deve voltar a crescer neste ano. A previsão é de fique entre US$ 53,5 bilhões e US$ 56 bilhões, de acordo com analistas do mercado de commodities ouvidos pela Agência Estado. Em 2009, a estimativa é de que o saldo da balança do agronegócio fique entre US$ 49 bilhões e US$ 54 bilhões. O saldo permanecerá longe, contudo, dos quase US$ 60 bilhões verificados em 2008.
''A recuperação econômica que está sendo registrada no mundo vai impactar a demanda por alimentos e isto vai beneficiar positivamente países produtores de commodities como o Brasil'', explica a economista Amaryllis Romano, analista de commodities da Tendências Consultoria. Para Amaryllis, a recuperação da economia dos países consumidores vai trazer de volta uma demanda que era necessária, já que a produção de alimentos cresceu no País. ''Existem fundamentos para que os países consumidores recomponham seus estoques, que ficaram mais limitados em função da crise econômica dos últimos anos'', diz.
Fábio Silveira, sócio-diretor da RC Consultores, ressalta, entretanto, que o crescimento das exportações brasileiras e, consequentemente, do saldo do agronegócio será discreto diante do fraco dinamismo das economias desenvolvidas. ''O aumento será tímido se considerados os números registrados em 2008, quando os efeitos da crise ainda não estavam totalmente contabilizados'', afirma.
Enquanto a Tendências Consultoria estima que as exportações do agronegócio alcancem US$ 70,8 bilhões em 2010, alta de 11,5%, a RC prevê um crescimento de 7,9%, para US$ 61,4 bilhões. Já as importações devem crescer apenas 5,25%, para US$ 14,8 bilhões, de acordo com a Tendências. Nas contas da Tendências, o saldo deve aumentar 13,25%, para US$ 56 bilhões, enquanto a RC estima um crescimento de 6,5% para US$ 53,5 bilhões.
Amaryllis comenta que a expansão da receita se dará mais por volume exportado que por preço. ''A volta da demanda vai impedir que os preços recuem em 2010 e, em alguns casos, as cotações tendem a subir, mas a elevação dos preços não será expressiva'', diz.
Produtos
A soja continuará a ser o carro-chefe das exportações brasileiras em 2010. Segundo a RC, a receita com os embarques do grão deve crescer para US$ 14 bilhões, ante US$ 13 bilhões em 2009. A Tendência estima uma receita de US$ 12,7 bilhões em 2010, ante US$ 11,7 bilhões em 2009. Em volume, as exportações de soja em grão devem ficar em 31,75 milhões de toneladas, alta de 8% sobre as 29,4 milhões de toneladas verificadas em 2009.
O açúcar segue ocupando o segundo lugar, com exportação de 23,5 milhões de toneladas, alta de 3,2%, gerando receita de US$ 8,1 bilhões, superior em 7,5% ao esperado para 2009, de acordo com a Tendências.
Segundo as projeções da RC, a receita total com as vendas de produtos brasileiros no exterior também deve crescer cerca de 6,5%, de US$ 155 bilhões para US$ 165 bilhões. Contudo, impulsionadas pelo forte crescimento do consumo doméstico, as importações devem disparar mais de 23%, de US$ 130 bilhões, em 2009, para aproximadamente US$ 160 bilhões no ano que vem. Com isso, o saldo da balança comercial brasileira deve despencar cerca de 80%, dos atuais US$ 25 bilhões para apenas US$ 5 bilhões.
Peso na balança
''O que salva as exportações brasileiras é o agronegócio e essa é uma tendência para os próximos anos. Há algum tempo, os produtos industrializados vêm perdendo competitividade no exterior e o peso na nossa pauta de exportações'', afirma Silveira. Para ele, o ''custo Brasil'' ainda é o maior empecilho para que o País consiga ser um grande exportador não só de matérias-primas, mas também de bens manufaturados.
As previsões para o saldo comercial do agronegócio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) confirmam os números dos analistas de mercado. A CNA estima que o superávit comercial do agronegócio em 2010 deve ter leve crescimento de 1,06%, para US$ 55,510 bilhões, em comparação com US$ 54,928 bilhões de 2009. O cálculo prevê exportação de US$ 65,312 bilhões (40% do total nacional) e importação de US$ 9,802 bilhões.
Já o superávit comercial total do Brasil em 2010, de acordo com estimativa da CNA, pode aumentar 44,4%, para US$ 39,329 bilhões, em relação aos US$ 27,234 bilhões de 2009. A exportação total nacional em 2010 está prevista em US$ 163,280 bilhões, enquanto a importação será de US$ 123,951 bilhões. O cenário da balança comercial, segundo a CNA, considera o câmbio entre R$ 1,70 e R$ 1,75.


