Da mesma forma que ajudou a evitar um PIB ainda menor para o Brasil, o agronegócio foi responsável pela economia paranaense ter crescido mais que a média nacional no primeiro trimestre. A safra de verão foi recorde, em 2013, passando de 23 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 30% sobre a produção anterior. As variações mais expressivas foram nas lavouras de soja (45%) e milho (9%).
Economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco José Gouveia de Castro, ressalta que o agronegócio paranaense tem o poder de movimentar os outros setores da economia. "O agronegócio cresce, o interior cresce, todo o Estado cresce", afirma. Ele destaca que a venda de veículos no Estado aumentou 14% no primeiro trimestre. E que boa parte deles são utilitários utilizados na agricultura.
Da mesma forma, o segmento químico da indústria foi destaque nos primeiros três meses do ano no Paraná, tendo crescido 12%. "Também está relacionado com os insumos do setor da agropecuária", explica. Ele não arrisca fazer uma previsão do PIB do Paraná em 2013, mas diz que "certamente" o Estado irá crescer mais que o Brasil.
Além dos veículos tiveram destaque no setor de comércio os combustíveis (8,9%). Na indústria, depois do segmento químico, cresceram bastante o de máquinas e equipamentos (4,9%) e o de alimentos (2,1%), segundo o Ipardes.
Para Carlos Augusto Albuquerque, assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), o agronegócio seguirá com bom desempenho até o fim do ano. De acordo com ele, o rendimento do produtor com as últimas safras de soja e milho foi "atípico, acima do normal", devido à seca nos Estados Unidos no ano passado. "A partir de agora, o setor volta à normalidade. Os preços tendem a cair. Logo os Estados Unidos vão colher uma super safra de milho", justifica. Na opinião de Albuquerque, não fosse as megas safras de soja e milho no Brasil, o PIB do primeiro trimestre teria sido negativo.
Roberto Zurcher, economista da Federação da Indústria do Estado do Paraná (Fiep), diz que o Brasil "patina" porque demorou a "olhar" para as indústrias. "O modelo de puxar a economia pela demanda ajudou o País a fugir do período agudo da crise de 2008. Junto com o estímulo ao consumo, o governo deveria ter incentivado a indústria lá atrás", explica.
Para ele, as medidas de desonerações implantadas nos "últimos 12 meses" ainda não surtiram efeito. "É preciso sempre manter um equilíbrio entre oferta e demanda para um crescimento sustentável" afirma. O resultado desse desequilíbrio, de acordo com Zurcher, foi que os brasileiros compraram muitos produtos importados nos últimos anos. "A própria indústria foi comprar insumos lá fora", declara. (N.B.)

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