Brasília Puxada pelas exportações de soja e carne, a balança comercial da agropecuária brasileira fechou 2002 com um superávit recorde: US$ 17,37 bilhões. O crescimento foi de 9% em relação ao saldo de 2001, segundo dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA).
O faturamento, medido pelo valor bruto da produção (VBP), teve aumento também recorde, de 11,2%, e foi de R$ 131,2 bilhões no ano passado. O Produto Interno Bruto (PIB) do setor subiu 8,37% maior crescimento desde o início do Plano Real, em 1994 e alcançou R$ 424,32 bilhões.
Com o resultado, o agronegócio subiu dois pontos percentuais em 2002 e passou a representar 29% do PIB brasileiro. A agricultura fechou 2002 com um PIB de R$ 72,72 bilhões (crescimento de 17,46%). Na pecuária, o PIB foi de R$ 53,07 bilhões (alta de 4,29%).
O desempenho foi impulsionado pelas exportações, cujas receitas cresceram 7,12% e foram responsáveis pelo superávit recorde. As vendas para o mercado externo foram estimuladas principalmente pela alta do dólar, que deixou os preços brasileiros mais competitivos. As importações encolheram 5%.
As vendas externas de carne bovina, por exemplo, foram recordes em 2002, com US$ 1,107 bilhão. O complexo soja (grãos, farelo e óleo) exportou US$ 6 bilhões em 2002, 14,3% a mais que em 2001.
A CNA espera que o faturamento agropecuário cresça 4,9% em 2003 e atinja R$ 137,6 bilhões. Prevê ainda aumento de 10% nas receitas das exportações de carne bovina e de 30% nas de soja, que, neste ano, tem sua safra estimada em 51 milhões de toneladas.
O chefe do departamento econômico da CNA, Getúlio Pernambuco, disse acreditar ainda que os efeitos do aumento da produção logo poderão ser sentidos pelo consumidor brasileiro.
''Em contrapartida dessa oferta, maior que a demanda, deveremos ter, em abril e maio, uma queda no preço da cesta básica, principalmente em produtos como feijão, arroz, óleo de soja e carne'', prevê Pernambuco.

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