Agronegócio registra superávit recorde
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de agosto de 2004
Renata Veríssimo<br> Agência Estado 
Brasília - A balança comercial do agronegócio,
nos sete primeiros meses do ano, registrou saldo recorde de US$ 19,44 bilhões, informou ontem a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O resultado é 44% superior ao superávit do mesmo período de 2003 e evidencia a força da agricultura no comércio exterior brasileiro. As exportações até julho totalizaram US$ 22,244 bilhões e as importações, US$ 2,803 bilhões. De acordo com a CNA, as vendas externas do agronegócio cresceram 37,2%. Já as importações apresentaram um aumento de apenas 3,2%.
''O superávit da balança comercial como um todo tem sido garantido basicamente pelas exportações do agronegócio'', avaliou o chefe do Departamento de Comércio Exterior da CNA, Antonio Donizeti Beraldo. Segundo ele, as exportações do setor têm uma participação de 42,5% nas vendas externas da balança comercial, considerando a previsão de um total US$ 90 bilhões em exportações este ano. A estimativa da CNA para o setor é de superávit de US$ 30 bilhões este ano, resultado de exportações de US$ 35 bilhões e importações de US$ 5 bilhões.
O valor é o mesmo estimado pelo Ministério do Desenvolvimento para o saldo comercial global. Segundo Beraldo, soja (grãos, farelo e óleo) e carnes serão os grandes responsáveis pelo bom desempenho. Juntos, os dois itens deverão ser responsáveis por 43% das exportações do agronegócio, ou seja, US$ 15 bilhões (US$ 10 bilhões em soja e US$ 5 bilhões em carnes). De janeiro a julho, as exportações de soja cresceram 31,7%. As vendas externas de carnes subiram 29,2%.
PIB - Apesar dos bons números da balança comercial, o agronegócio vai crescer menos que a economia nacional este ano. Segundo dados da CNA, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor deve ser de 2,8%, enquanto o governo projeta um crescimento entre 3,5% e 4% para o conjunto da economia. O chefe do Departamento Econômico da CNA, Getúlio Pernambuco, explicou que o PIB do setor refletirá a quebra da produção agrícola, causada pela seca no Sul e o excesso de chuvas no Centro-Oeste, além da incidência da ferrugem asiática nas lavouras de soja. ''Esses fatores fizeram com que o desempenho do PIB fosse arrefecido'', disse. Ele lembrou que o PIB do setor no ano passado teve um desempenho excepcional, quando atingiu um crescimento de 6,2% em relação a 2002. Pernambuco disse que a expectativa para 2005, em alguns setores, continua positiva.


