O setor produtivo agropecuário começa a se mobilizar para reduzir perdas caso a greve dos caminhoneiros se torne mais longa. O primeiro passo tem sido procurar parlamentares para tentar encerrar essa paralisação o quanto antes e para fazer um alerta de possíveis perdas. Eles também já começam a se preparar para negociar com sindicatos a hora extra dos trabalhadores e mudar os cronogramas das fábricas para não ter o mesmo problema do início do ano, quando os animais se acumularam no campo e eles demoraram quatro meses para normalizar o ciclo produtivo.
Ontem, cerca de 40 entidades e representantes do setor produtivo se reuniram com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) na tentativa de obter uma intervenção e parar a greve. "Tivemos uma conversa com entidades do setor produtivo e eles externaram a situação, que é de paralisia com a greve", relatou o presidente da FPA, o deputado Marcos Montes (PSD-MG).
Segundo o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), foi solicitada uma audiência com o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, na qual ele receberia esses representantes. "A preocupação é de que essa manifestação não se torne autofágica, com um setor prejudicando o outro e derrubando uma economia que já está combalida", afirmou.
A paralisação dos caminhoneiros, apesar de não ter a mesma força da greve registrada no início do ano, começou a afetar o abastecimento de combustível em algumas regiões do País, como em cidades de Minas Gerais. Em outros Estados, com o risco de desabastecimento, o preço do combustível disparou em poucas horas.

Balanço

Depois de bloquear a saída de caminhões de combustível do terminal da Petrobras, em Paulínia, interior de São Paulo, e travar algumas das principais rotas de escoamento de cargas do País, o protesto dos caminhoneiros contra o governo da presidente Dilma Rousseff perdeu força ontem.
Mesmo assim, lideranças do Comando Nacional do Transporte (CNT), organizador dos protestos, informavam que as manifestações continuam hoje. Sem apoio de federações e sindicatos, os organizadores dependem das redes sociais para mobilizar a categoria.
Ontem de manhã, a Justiça estadual deu liminar em ação do Ministério Público para a retirada do bloqueio na RS-122, entre Caxias do Sul e Farroupilha, na Serra Gaúcha. Em caso de interdição, será aplicada multa de R$ 50 mil ao Comando Nacional do Transporte. Notificados, os caminhoneiros que estavam no local se dispersaram.

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