Agronegócio pode sair fortalecido da crise
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
Fabíola Salvador<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, disse ontem que o agronegócio brasileiro pode sair fortalecido da crise financeira internacional. Ele acrescentou que a taxa de câmbio, atualmente em cerca de R$ 2,20, vai tornar a exportação brasileira mais competitiva, mesmo se houver uma queda nos preços das commodities agrícolas, por conta do desaquecimento da economia mundial.
De acordo com ele, estão mantidas as perspectivas da exportação brasileira de carne suína para este ano. Os embarques devem somar 600 mil toneladas e render US$ 1,8 bilhão, números parecidos com os do ano passado. Para 2009, Camargo Neto comentou que ainda é cedo para falar em previsões porque o setor está ''tentando digerir'' os efeitos da crise internacional. Ele avaliou que, se o dólar se mantiver a R$ 2,20, o Brasil deve se tornar mais competitivo no mercado exportador, podendo atrapalhar concorrentes internacionais, como é o caso da Dinamarca, que é grande produtor mundial de carne suína.
O Brasil é o quarto maior exportador de carne suína do mundo e as vendas estão concentradas no mercado da Rússia, que absorve cerca de 40% dos embarques do País. Alguns compradores têm tentado renegociar contratos por causa da valorização do dólar. O problema, segundo o presidente da Abipecs, é mais grave no caso da carne bovina, em virtude do elevado nível do estoque na Rússia. Ele informou, ainda, que não existe risco de ''calote'' nas vendas de carne suína ao exterior. Isso porque 30% do valor de venda é pago no momento da contratação do pedido e o restante, 70%, é pago no porto, mediante entrega do lote.
Camargo Neto ressaltou a força do mercado interno. Disse que o consumo interno passou de 12 kg per capita por ano para 14 kg. Ele comentou que o setor não está preocupado com o possível aumento do preço do milho, importante componente da ração animal.
O dirigente esteve nos últimos dias no exterior, onde participou de eventos, entre eles, a Sial, uma das mais importantes feiras de alimentação do mundo, que ocorreu em Paris. Segundo ele, a posição dos participantes foi de cautela, tanto entre compradores como vendedores. ''Ninguém estava fazendo negócios. A regra é comprar ou vender o mínimo, até que seja possível identificar o rumo da crise'', afirmou.
Mesmo diante desse cenário, Camargo Neto lembrou que há várias missões estrangeiras visitando o Brasil, o que sinaliza que não deve haver uma queda acentuada na demanda por alimentos, mesmo com crise. Para o ano que vem, a grande expectativa é para uma visita de veterinários da União Européia, que não importa carne suína do Brasil. ''A demanda por alimento é inelástica. A crise não vai ser uma maravilha para ninguém, mas a agricultura pode ser beneficiada pelo câmbio'', reforçou.
Camargo Neto informou que uma medida de curto prazo para aliviar a crise no setor exportador seria a liberação de recursos para operações de Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC). Na avaliação do dirigente, não falta dinheiro no mercado, mas os bancos estão receosos em emprestar. A longo prazo, ele defendeu uma reforma tributária para dar fôlego ao setor.


