O clima está ajudando, os preços melhoraram e os produtores rurais se preparam para a melhor safra dos últimos anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a previsão é que o Brasil colha 129 milhões de toneladas nesta safra, 11% maior do que a safra de 2006. Não é pouca coisa, mas poderia ser muito melhor.
O agronegócio é responsável por 27% do Produto Interno Bruto, algo em torno de R$ 300 bilhões. Além disso, o setor gera 17 milhões de empregos. É uma máquina poderosa, mas não tão bem aproveitada.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), José Joaquim Ribeiro, o Brasil do agronegócio é muito parecido do Brasil do futebol. Ele lembra que no futebol o Brasil dos gramados já ganhou todos os títulos possíveis. Venceu cinco copas do Mundo e exporta jogadores para todos os continentes. Mas, fora das quatro linhas, o país ainda engatinha no que se refere a organização e gerência do negócio futebol.
''Os números mostram que na área rural é muito parecido. O produtor brasileiro evoluiu muito nos últimos anos e, quando o assunto é plantar e colher, bate recordes de produtividade. Porém o agronegócio precisa melhorar muito na questão administrativa e gerencial. Quando conseguir unir as duas coisas, o país será outro'', afirma Ribeiro.
E o momento, conforme Ribeiro, é propício. Além da melhora na produtividade e nos preços internacionais das principais commodities, o custo dos insumos também reduziu e está bem mais barato para plantar. Inseticida, por exemplo, foi o item de maior redução no período de janeiro/2006 a janeiro/2007, caindo 12,6%.
Só para se ter uma idéia do poder do segmento, conforme informações da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), as cooperativas agrícolas do Estado aumentaram em aproximadamente 25% suas exportações no ano passado. Os principais destinos foram Estados Unidos Emirados Árabes e China. Entre os principais produtos que puxaram esse crescimento estão o álcool, carnes e soja.
A agroindústria também se destacou, apontando para uma tendência iniciada por algumas cooperativas, como a Corol, de Rolândia, em agregar valor aos produtos focando no mercado internacional.
''É isso que precisa ser incentivado. As propriedades rurais precisam ser transformadas realmente em empresas. O setor precisa agregar valor aos produtos agrícolas. Hoje o que percebemos é que a agricultura, quando está num bom momento, melhora o ânimo das pessoas em todos os lugares. Ela afeta positivamente todas as cidades, seja Londrina, Jataizinho ou Campina da Lagoa. Independente do tamanho do município, todos são beneficiados, pois o dinheiro passa a girar mais''.
O interessante, continua Ribeiro, é que os pequenos e médios produtores investem nos próprios municípios. Em razão disso, o comércio vende mais, as indústrias de máquinas agrícolas comercializam mais, as empresas de serviços se beneficiam, enfim, todos ganham. ''Agora, imagine toda essa revolução que a agricultura produz e somando a ela o investimento na geração de produtos agregados. Esse de agregar valor pode e deve ser ocupado pelas cooperativas.E o governo, por sua vez, precisa parar de investir tanto em outros países, construindo estradas e perdoando dívidas e usar esta verba para investir aqui, construindo a infra-estrutura necessária para o desenvolvimento do agronegócio. Temos que mudar isso e essa mudança passa pelas lideranças do setor e pelo governo que precisa incentivar a produção agroindustrial''.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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