Agronegócio pode exportar 6% a mais em volume neste ano
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Célia Froufe<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que as exportações brasileiras do agronegócio podem crescer de 5% a 6%, em volume, na comparação com o ano passado. Dados do Ministério apontam que as vendas domésticas recuaram 9,8% em receita em 2009 ante o ano anterior, passando, no período, de US$ 71,8 bilhões para US$ 64,8 bilhões.
''O desempenho das exportações no ano passado foi considerado bom tendo em vista que foi um ano de crise'', ponderou Stephanes. Em termos quantitativos, segundo o ministro, houve um decréscimo de 0,4% em volume de vendas. ''Os demais setores caíram mais de 30%, enquanto a agropecuária praticamente se manteve estável em termos de volume'', comparou.
Esses movimentos foram os responsáveis para que a participação do setor no total das exportações brasileiras tivesse passado de 36% em 2008 para 42% no ano passado. Segundo ele, a tendência para 2010 é de redução dessa fatia, já que os outros setores da economia tendem a mostrar recuperação.
Entre os países mais resistentes a adquirir produtos brasileiros estão Canadá, México e Coreia. No caso do México, Stephanes salientou que três questões atrapalham a comercialização. A primeira diz respeito às dificuldades logísticas do Brasil, que encarecem os produtos nacionais. A segunda está relacionada ao Nafta (bloco comercial que facilita o trânsito de produtos entre Canadá, México e Estados Unidos). E a terceira é o fato de o país querer desenvolver sua produção interna sem concorrência externa. ''Os americanos estão do lado do México e têm a questão de logística também.
Os Estados Unidos colocam o produto pelo Mississippi a custos bem mais baixos do que nós trazermos nossa soja de Mato Grosso até Santos e levar até lá em cima.'' Para o ministro, porém, em algum momento o México terá de abrir seu mercado ao Brasil. ''Vamos continuar insistindo. Até porque seria importante para o México não ficar preso a apenas um ou dois parceiros'', continuou.
Arroz
Stephanes afirmou ontem que os produtores de arroz prejudicados pelas chuvas no Sul do País no final do ano passado poderão contar com um novo instrumento de crédito. O formato dessa linha está sendo discutido, mas ele deve ser finalizado nos próximos dias para ser submetido ao Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reunirá, provavelmente, na quinta-feira da próxima semana.
O CMN é composto pelos ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (PLanejamento) e Henrique Meirelles (presidente do Banco Central). ''Todos os instrumentos de apoio disponíveis já foram adotados. Mas é preciso definir um instrumento novo para os que perderam sua capacidade de produção, como os que perderam maquinário'', pontuou o ministro.
De acordo com ele, há aproximadamente 3 mil rizicultores com dificuldades de retomar suas atividades. Stephanes defende que a linha de crédito seja de até cinco anos e que ofereça ''juros adequados'' aos interessados. ''Tem um grupo que está estudando isso, e o tema vai para CMN.''


