Agronegócio perde US$ 1,3 bi com limitação em Paranaguá
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Fabíola Gomes<br> Agência Estado 
São Paulo - As limitações de escoamento no porto de Paranaguá, referência internacional nos embarques de produtos agrícolas, provocaram perdas de US$ 1,3 bilhão ao setor em 2008, segundo cálculo da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O assoreamento do canal de acesso ao porto impede a utilização de toda a capacidade de carregamento dos navios de grande porte, por conta do risco de encalhe das embarcações.
A Anec alerta para a necessidade de uma dragagem emergencial para melhorar as condições de acesso ao porto antes de fevereiro, início da colheita da soja, principal produto da pauta de exportações do agronegócio brasileiro. O cálculo inclui ainda os gastos extras do setor por conta do pagamento do demurrage, a sobreestadia dos navios no porto.
As exportações do complexo soja renderam US$ 17,9 bilhões no ano passado, aumento de 58% sobre a receita apurada em 2007. Paranaguá ainda é uma das principais vias de escoamento da soja produzida no Paraná e no Mato Grosso, os dois maiores produtores da oleaginosa, para grandes consumidores globais, como China e União Europeia.
Os cálculos da Anec, feitos com base nos dados do porto paranaense, apontam que os custos para fazer uma dragagem são menores que os prejuízos que seriam provocados por um encalhe. Uma embarcação que ficasse encalhada em Paranaguá implicaria prejuízos da ordem de US$ 61,2 milhões por dia (R$ 144,4 milhões na cotação a R$ 2,37), em virtude da não movimentação de cerca de 100 mil toneladas por dia no porto e dos gastos extras com o demurrage. Já para a dragagem, o porto trabalha com um valor médio de R$ 6 por metro cúbico, para a retirada de 3,6 milhões de metros cúbicos de areia e sedimentos do canal, que resultaria em custo total de R$ 18 milhões. ''Mesmo que o custo da dragagem emergencial fosse o dobro, R$ 36 milhões, ainda assim seria muito menor que os prejuízos causados no caso de paralisação do porto. Poderia levar até dez dias para tirar um navio encalhado'', pondera o diretor geral da Anec, Sérgio Mendes.
O assoreamento e estreitamento da parte externa do canal de Galheta, que dá acesso aos portos de Paranaguá e Antonina, fizeram a Capitania dos Portos do Paraná recomendar, no fim do ano passado, que o acesso ao porto para navios com comprimento acima de 250 metros seja limitado a embarcações com calado máximo de 9,90 metros de profundidade. A dragagem permitirá que navios de grande porte possam ser utilizados em sua plena capacidade. Atualmente, os exportadores pagam por um frete de 60 mil toneladas, em navios tipo Panamax (com capacidade de até 75 mil toneladas de soja), mas carregam entre 14 mil a 16 mil toneladas a menos, por causa da restrição de calado do porto.
''Nunca houve um encalhe no porto, mas não podemos esperar isso acontecer. Isso prejudicaria a imagem brasileira no exterior, porque Paranaguá é um porto de referência internacional para a base de cálculo dos preços da soja'', afirma Mendes. O executivo explica que, sem a dragagem que garante o aprofundamento do canal de acesso, o calado do porto caiu de 39 pés (11,88 metros) para 37 pés (11,28 metros) de profundidade.
Diante da urgência em adotar medidas para garantir o escoamento da safra brasileira, os exportadores esperam se reunir com representantes do porto e da Secretaria Especial dos Portos (SEP) e do Porto de Paranaguá para acompanhar o desenvolvimento dos trabalhos de dragagem no porto paranaense.


