Agronegócio pede reforço na defesa contra pragas e doenças
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quinta-feira, 13 de outubro de 2005
João Baumer<br>Agência Estado 
São Paulo - O foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul desperta em outros setores do agronegócio a necessidade de integrar e fortalecer os sistemas de defesa agropecuária no Brasil e nos países vizinhos. Ocorrências de pragas e doenças nas lavouras e pomares afetam diretamente as exportações do agronegócio e a balança comercial.
A gripe do frango, por exemplo, tem causado grande prejuízo na Ásia e abriu novos mercados para as exportações brasileiras de cortes de aves. Se os cuidados necessários não forem tomados, contudo, a gripe aviária pode chegar às granjas do País.
O setor de algodão foi um dos primeiros a manifestar a necessidade de combate generalizado a doenças e pragas da cultura. No dia seguinte à notícia do foco de aftosa, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Jorge Maeda, alertou o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, sobre a necessidade de parceria entre governo e iniciativa privada para a defesa agropecuária. Maeda vai entregar ao ministro uma carta formal da entidade solicitando recursos e esforços do governo para o combate ao bicudo, uma das principais pragas do algodão.
''Estamos pedindo ao governo isonomia em relação à força-tarefa que está sendo criada para a febre aftosa. Queremos que o governo seja nosso parceiro na criação e manutenção de um fundo para erradicação ou supressão do bicudo no Brasil e nos países vizinhos'', disse Maeda.
A Abrapa calcula que os produtores de algodão gastam US$ 150 milhões por ano só com inseticidas para controle do bicudo. ''Se não houver um combate regionalizado, o problema não termina. Os insetos voltam, migram de uma lavoura para outra. É um problema semelhante ao da febre aftosa.''
O dirigente ressalta que a proposta é de parceria, considerando que o setor privado pode dispor de recursos financeiros, e o governo detém a autoridade legal. A crise de preços baixos que o agronegócio atravessa agrava a situação, lembra Maeda, porque o produtor menos capitalizado tende a reduzir o gasto com insumos no limite do tolerável.
A Abrapa também aguarda de Brasília liberação de R$ 80 milhões para apoio à comercialização da fibra por meio dos programas de Prêmio de Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio de Risco para Contratos Privados de Opção de Venda (Prop). Maeda estima uma redução de área plantada no próximo verão entre 15% e 20%.


