O ministro da Agricultura Pratini de Moraes informou ontem que as vendas externas do agronegócio representaram 44,2% das exportações totais do País em julho. As exportações em 12 meses alcançaram US$ 22,5 bilhões e o superávit chega a US$ 17 bilhões. As informações foram dadas durante o seminário ‘‘Perspectivas Agrícolas para a Safra 2001/2002’’. Durante o evento, o ministro anunciou que o governo vai antecipar recursos de R$ 250 milhões a R$ 300 milhões para a estocagem do leite.
Conforme os números apresentados por Pratini, as exportações de produtos agropecuários atingiram em julho US$ 2,197 bilhões, um crescimento de 9,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.
Os produtos que apresentaram melhores resultados no mês de julho foram o açúcar (+56,1%) e as carnes (+39,3%). O resultado das carnes deve-se principalmente à expansão das vendas de carne suína (124,8%), após a retomada das vendas para a Rússia e a conquista de novos mercados.
Quanto ao açúcar, as quebras de safra em países como Austrália e Tailândia permitiram a recuperação do produto brasileiro, que gerou receitas 22,9% maiores do que no período anterior.
O ministro disse também que as vendas externas do algodão e do milho acrescentaram US$ 576 milhões ao superávit no período de agosto de 2000 até julho de 2001. Nos últimos doze meses as exportações do setor cresceram 8,4%, atingindo US$ 22,5 bilhões. Com o aumento das exportações e a redução de 5% nas importações, o superávit comercial do agronegócio acumulado em doze meses passou para US$ 17 bilhões.
O presidente da Confederação Nacional de Agricultrua (CNA), Antônio de Salvo, citou, durante o seminário, as culturas do café e do milho como dois desafios para o setor agrícola. ‘‘No caso do café temos vivido dias de ira’’, declarou em relação à queda do preço do produto que chegou ao menor patamar dos últimos 36 anos. Quanto ao milho, afirmou que a desmotivaçao para o plantio deve-se a desvalorização cambial e ao fato de a soja ter se tornado mais atrativa. Salvo descartou efeitos imediatos sobre a agricultura com o recente acordo firmado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele disse que o setor agrícola busca hoje acordo com o Nafta e União Européia. ‘‘Os dois são pretendentes da noiva rica, que é o Brasil, mas até agora não nos ofereceram nada que nos interessasse’’..

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