Agronegócio pagou R$ 67 milhões em pedágio no ano passado
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sexta-feira, 27 de junho de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Estudos recentes feitos pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) mostram que no ano passado o setor do agronegócio deixou R$ 67,23 milhões do transporte da safra nas praças de pedágio. Esse custo está tirando competitividade dos produtos paranaenses e inviabilizando o transporte de alguns produtos como calcário e do milho.
O maior problema do pedágio no Paraná para o setor agropecuário é a cobrança nos dois sentidos enquanto o transporte da safra é feito em apenas um sentido. Segundo a Ocepar, cerca de 60% dos caminhões retornam vazios de Paranaguá, sem renda para sustentar o pagamento das tarifas no sentido inverso.
Considerando o trecho entre Foz do Iguaçu (oeste) e o Porto de Paranaguá, o custo do pedágio no transporte do milho equivale a 6,64% do custo de produção do grão. No transporte do calcário, a participação do custo do pedágio é maior e representa 40,42% do valor do produto transportado de Almirante Tamandaré, (Região Metropolitana de Curitiba) a Cascavel (oeste do Estado). Esse aumento de custo provocou queda na utilização do calcário por parte dos produtores, situação que tem levado muitas indústrias da Região Metropolitana de Curitiba a paralisarem suas atividades.
No levantamento feito pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o pedágio representa 3% de uma carga de soja, o que reduz a margem de lucro do produtor que já é pequena, disse o presidente da entidade Ágide Meneguette. Segundo o empresário, os agricultores não são contra o pedágio, eles reivindicam a redução da tarifa para compatibilizar com o valor do carregamento, que é muito menor se comparado com uma carga industrial que circula nos demais Estados brasileiros.
Segundo Meneguetti, os empresários estão conscientes que o governo não tem dinheiro para a manutenção das estradas. Por isso, a Faep defende uma redução de 50% no custo do serviço. Meneguette disse, no entanto, que essa redução precisa ser obtida à custa de negociação, ''respeitando o patrimônio alheio''.
Para o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep), Ademir Muller, o pequeno agricultor é o que mais sofre o impacto do pedágio porque não impõe preço e não tem produção em escala para suportar aumentos de custos. Segundo Muller, o mercado é que regula o preço das mercadorias e o dinheiro do pedágio ''tem que sair desse total, o que reduz as margens do pequeno agricultor''.


