Agronegócio não é vilão do meio ambiente
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sexta-feira, 28 de julho de 2017
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

Todo mundo tem de fazer a sua parte, mas nem o Brasil nem o produtor rural brasileiro são vilões do meio ambiente. A declaração é do engenheiro agrônomo e professor do ISAE FGV, Cleverson Vitório Andreoli, e foi dada durante sua palestra na 9ª edição dos EncontrosFolha, promovida pelo Grupo Folha na manhã da sexta-feira (28), no auditório do Aurora Shopping.
Além dele, participaram do evento como painelistas André Costa Nahur (coordenador do programa de mudanças climáticas e energia do WWF-Brasil); Mauro Corbellini (coordenador de mudanças climáticas da Sema-PR); Junior Ruiz Garcia (diretor da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica Regional Sul); e Miderson Zanello Milleo (ex-prefeito da cidade de Taquarituba-SP). O tema da edição foi "Como as mudanças climáticas desafiam o crescimento econômico".
Andreoli ressaltou que a agricultura ocupa 8% do território nacional e o País tem uma rigorosa legislação relacionada ao meio ambiente. "O Brasil não é troglodita. O Brasil tem 17,5% de áreas preservadas. É o dobro da área explorada pela agricultura", disse. Para o engenheiro agrônomo, o produtor brasileiro é um cidadão que faz um "trabalho de excepcional importância". E também não pode ser chamado de "troglodita".
Apesar disso, ele cobrou da classe a necessidade de avançar em práticas de sustentabilidade. "O principal beneficiário pela implantação dessas práticas é o próprio produtor rural", salientou.
A mesma cobrança fez em relação aos empresários de modo geral. E salientou que há boas linhas de financiamento para projetos de sustentabilidade, citando o REDD+, programa de redução de emissões das Nações Unidas, que, segundo ele, dispõe de US$ 100 bilhões por ano para desenvolvimento de ações de sustentabilidade na atividade rural. Também citou o Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), do governo federal. "A sustentabilidade deve ser tratada do ponto de vista ético e pragmático. O empresário deve ver que terá diferencial competitivo", disse.
MUNICÍPIO
Também presente no evento, o prefeito Marcelo Belinati (PP) contou que, durante as primeiras reuniões que fez com o secretariado, ainda em janeiro, discutiu com a Defesa Civil os eventos climáticos que podem ocorrer na cidade, como as chuvas de janeiro de 2016, que desabrigaram pessoas e derrubaram pontes. "Até hoje ainda temos pontes em processo de recuperação."
Belinati também disse ter desengavetado um projeto da gestão do ex-prefeito Nedson Micheletti (2001 a 2008) de revitalização dos lagos Igapó. "Com recursos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), o projeto prevê parques, pistas de caminhada, iluminação, além de obras de interseção viárias e drenagem urbana", enumerou. O prefeito informou que foi ao BID, à Secretaria do Tesouro, ao Ministério da Fazenda e ao Senado para tratar da proposta. "Esse projeto vai mudar o perfil da cidade de Londrina", declarou.
AVALIAÇÃO
O superintendente do Grupo FOLHA, José Nicolás Mejía, ressaltou o impacto econômico das mudanças climáticas no mundo. "Os custos que o Estado tem com os eventos climáticos não estão previstos em orçamento. E o Estado acaba gastando na recuperação de infraestrutura danificada o que poderia utilizar em sua melhoria e ampliação." Segundo Mejía, é preciso encontrar soluções que permitam reverter ou pelo menos estabilizar as mudanças climáticas. "Assim podemos sonhar com um futuro melhor."
Ele também fez uma avaliação dos três anos dos EncontrosFolha. "As edições geraram reflexões importantes. Essas reflexões continuam sendo pautadas nos veículos de comunicação do grupo. E foram incorporadas às agendas das entidades de Londrina e região", destacou. De acordo com o superintendente, o Poder Público também encampou propostas discutidas nos encontros. A referência é ao programa Agiliza Londrina, por meio do qual a Prefeitura busca desburocratizar a relação entre o Município e a iniciativa privada. "Essa necessidade foi amplamente discutida nas edições anteriores dos EncontrosFolha", ressaltou.
O evento tem o patrocínio da Construtora Vectra e do ISAE FGV. A cobertura completa será publicada na edição da FOLHA da próxima quarta-feira (2).
Agropecuária gerou mais de 36 mil novos postos de trabalho
Esta semana foi marcada por importantes datas referentes à agricultura brasileira, culminando nesta sexta-feira (28), no Dia do Agricultor. O setor, que é um dos principais da economia do país, engloba desde o agronegócio a agricultura de subsistência, envolve também movimentos sociais, indígenas, quilombolas, agricultores familiares, em uma produção capaz de abastecer grande parte do mercado interno e ter desempenhos de destaque no mercado externo.
A Lei que instituiu a agricultura familiar no Brasil, Lei nº 11.326/2006, completou 11 anos na segunda-feira (24). Na terça-feira (25), foi comemorado o Dia da Agricultura Familiar.
Os dados do setor são representativos. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apesar da crise, o setor agropecuário como um todo teve um avanço de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre deste ano. O PIB do setor cresceu 13,4% na comparação com o último trimestre do ano passado, no melhor desempenho em termos trimestrais desde 1996.
Em termos de geração de empregos, a agropecuária teve o melhor saldo (diferença entre admissões e demissões) entre os setores econômicos, com 36.827 novos postos, conforme os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Além da agricultura, apenas a administração pública teve saldo positivo, de 704 novos postos. Os demais setores tiveram mais demissões que admissões.
Já a agricultura familiar faz a comida chegar até a mesa de cada brasileiro; produzindo mais 50% dos produtos da cesta básica.
Para este ano é esperada uma safra recorde de grãos, com a produção de 237,2 milhões de toneladas, um aumento de 27,1% ou 50,6 milhões de toneladas frente às 186,6 milhões de toneladas da safra passada, de acordo com a última estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento.
AGRICULTURA FAMILIAR
Segundo dados do último Censo Agropecuário, a agricultura familiar representa 84,4% dos estabelecimentos agropecuários brasileiros e é o setor responsável pela base econômica de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes e responde por 38% do valor bruto da produção agropecuária nacional.
Esses agricultores ocupam um quarto da terra agrícola, mas produzem 87% da mandioca do país, 69% do feijão, 59% dos porcos, 58% dos lácteos, 50% dos frangos, 46% do milho, 33,8% do arroz e 30% do gado do Brasil.
"O agricultor familiar tem um papel importante no desenvolvimento do nosso país, conquistou (desde o governo de Fernando Henrique Cardoso) políticas públicas e reforçou economicamente o setor. Tivemos uma melhora significativa nas condições de vida do agricultor familiar", diz o coordenador-geral da Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil, Marcos Rochinski.
Rochinski, no entanto, diz que o setor está preocupado com a perda de benefícios devido à extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário, transformado no governo de Michel Temer na Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário e no contingenciamento de recursos, que de acordo com a Confederação, chegou a 47% em determinadas políticas.


