O cenário do agronegócio brasileiro não é nada animador para a próxima safra se medidas urgentes não foram adotadas pelo governo federal. Essa foi a tônica dos discursos dos representantes de entidades ligadas ao setor do agronegócio que realizaram ontem no Paraná o movimento ''Mobilização no Campo''. A manifestação reuniu milhares de produtores rurais de todo o Estado num verdadeiro comboio que saiu da praça de pedágio de Arapongas (30 km a oeste de Londrina) até o Parque Governador de ExposiçõesNey Braga, em Londrina.
Liderados pela Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Sindicatos Rurais de várias localidades, cerca de 200 ônibus, tratores, maquinários e caminhões formaram um comboio de mais de 12 quilômetros pela BR-369 até chegar a Londrina. A Polícia Militar calcula que o evento conseguiu aglomerar 12 mil pessoas. Só a Faep disse ter distribuído 8 mil bonés para os produtores. O encontro resultou na Carta do Paraná, contendo várias propostas, que será encaminhada ao governo federal.
Um palanque foi montado em frente ao Sindicato Rural de Londrina, ao lado do Parque Ney Braga, onde os representantes das entidades afirmaram que esta é a crise mais grave do setor nos últimos 20 anos. Esta mesma crise fará com que o Brasil deixe de exportar R$ 11 bilhões este ano no complexo soja e milho. Só o Paraná perdeu 5,2 bilhões de toneladas dos produtos em razão da queda do preço e do dólar. Pior: com isso, deixarão de circular R$ 2,5 bilhões para a agricultura e R$ 12 bilhões em toda a economia. Os números alarmantes foram repassados pelo presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski.
Esse quadro indica grandes prejuízos para os agropecuaristas e um problema sério de inadimplência junto a fornecedores de insumos, fora o que foi perdido com a aplicação de recursos próprios. De acordo com o presidente da Faep, Ágide Meneguette, os produtores plantaram sua safra ao preço do dólar a R$ 3,10 e com um custo de produção 25% maior. ''Ao colher, os preços internacionais haviam despencado e o dólar baixado para menos de R$ 2,50 e ainda em queda. Para culminar, uma das maiores secas já registradas no Estado roubou pelo menos 20% da colheita'', enfatizou.
Há anos, segundo Meneguette, que o crédito rural oficial é insuficiente, o que obriga os produtores rurais a recorrer a financiamento junto aos fornecedores de insumos e cooperativas a juros de mercado. ''Com a quebra de safra e a queda de preços, os produtores não têm como saldar esses débitos e estão sendo pressionados. As recentes medidas tomadas pelo governo federal de apoio ao setor não foram suficientes para resolver a situação
A única saída apontada por unanimidade pelos representantes das entidades é a obtenção urgente de novos recursos do Governo Federal para que esses débitos junto a fornecedores de insumos possam ser refinanciados. ''Se esses recursos não forem colocados à disposição da agropecuária, os produtores não terão como plantar na próxima safra'', comentou Meneguette.
João Paulo Koslovski alerta ainda para um outro problema: a adoção de menos tecnologia para a próxima safra. ''Sem recursos para investir, é possível que os produtores terão quebra na produção'', disse o dirigente da entidade, acrescentando que isto torna ainda mais importante a alocação de crédito emergencial para o setor. Segundo ele, as cooperativas do Paraná emprestaram aos produtores R$ 1,2 bilhão, sendo que R$ 600 milhões desses recursos são provenientes de crédito rural. ''Pedimos que haja uma ação no sentido do governo alocar recursos para as cooperativas para resolver essa situação. Em nível nacional, temos necessidade de R$ 3 bilhões e, no Paraná, R$ 1 bilhão''.
Também participaram da mobilização o presidente do Sindicato Rural de Londrina, Luiz Fernando de Almeida Kalinowski, e o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Edson Neme Ruiz.

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