O Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral) calcula que os prejuízos na agricultura vão atingir R$ 1 bilhão e poderão representar desemprego direto de pelo menos 160 mil pessoas que trabalham na cafeicultura no norte paranaense.
O resultado imediato de perda na agricultura representa menos dinheiro no comércio e indústria e menos salários para a população consumir. Em casos anteriores de perdas agrícolas, como na grande geada 1975 e 94 ou na seca de 86, houve um desaquecimento na economia, pois circulou menos dinheiro nos municípios que se sustentam com a agricultura.
Apesar de toda a industrialização que o Estado passou nos últimos anos, o Paraná ainda tem relativa dependência da agricultura. Todos os segmentos do agronegócio (direta e indiretamente) respondem por 32% do Produto Interno Bruto. Pelo último levantamento do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), o PIB estadual é de R$ 49,8 bilhões e a agricultura contribui com R$ 7 bilhões, ou seja, 14%. O setor de Serviços corresponde à maior fatia de 47,8% (R$ 23,8 bilhões) e a Indústria 38% (R$ 19 bilhões).
‘‘Ainda é cedo para avaliar de quanto será o impacto nos demais setores da economia, mas certamente as perdas na agricultura vão afetar muito o comércio e a indústria paranaense’’, afirmou o economista do Ipardes, Gilmar Lourenço. Para fazer uma comparação, Lourenço diz que as exportações agrícolas serão impactadas nos próximos anos.
O que poderá diminuir o impacto econômico poderá ser o crescimento da economia nacional, que começa a dar sinais de que está saindo da crise ocorrida no início do ano passado. ‘‘As perdas na agricultura podem ser compensadas com o crescimento econômico’’, afirmou o economista.
Em um documento elaborado por Richardson de Souza, economista do Deral, o Paraná ainda tem sua economia muito dependente da agropecuária. ‘‘Os prejuízos da agricultura abalam todos os segmentos da cadeia produtiva, causam desemprego no campo e impacto em cidades cujo comércio e serviços dependem da produção agrícola’’, disse Souza. (Carmem Murara)

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