A balança comercial do agronegócio deverá fechar este ano com um superávit entre US$ 13,5 bilhões e US$ 14 bilhões, segundo estimativa feita pelo Ministério da Agricultura. Este resultado é quase igual ao ano passado, que foi de US$ 13,4 bilhões. A expectativa inicial do governo, que era de obter um superávit em torno de US$ 15 bilhões em 2000, não será alcançada por causa da redução dos preços das principais commodities no mercado internacional.
O secretário de Produção e Comercialização do Ministério Paulo Cezar Samico, informou que, de janeiro a outubro passado, o saldo do comércio exterior do agronegócio se manteve em US$ 11 bilhões. Esse valor é idêntico ao registrado em igual período de 1999 e foi mantido graças ao aumento das quantidades exportadas. Apesar de o volume exportado ter sido muito superior ao realizado em 1999, o valor das exportações teve um aumento de apenas 1,87%, enquanto o das importações cresceu 8,38% nos 10 primeiros meses do ano.
Em função da queda nos preços do mercado internacional - que não acompanharam o crescimento das vendas externas dos produtos industrializados -, a participação do agronegócio na pauta do comércio exterior do País caiu cinco pontos porcentuais passando de 41% para 36% até outubro. Do total de US$ 46,037 bilhões exportados pelo Brasil de janeiro a outubro deste ano, o agronegócio foi responsável por US$ 16,667 bilhões.
As importações, por sua vez, tiveram uma redução inferior a um ponto percentual, caindo de 12,94% para 12,31%. Seu valor alcançou US$ 5,560 bilhões ante US$ 5,213 bilhões em igual período do ano passado.
A maior parte das exportações brasileiras do agronegócio realizadas de janeiro a outubro deste ano foi destinada aos países que integram a União Européia (40,49%). Esta, segundo a análise da Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, seria uma das razões para a queda generalizada nos preços dos produtos agrícolas no mercado externo, em virtude da desvalorização do Euro. De janeiro de 1999, quando a moeda européia foi criada, até o mês passado, sua desvalorização em relação do dólar norte-americano já alcançou quase 28%.
Complexo soja Entre os produtos com bom desempenho de janeiro a outubro deste ano estão o complexo soja, cujas exportações somaram US$ 3,742 bilhões, com um aumento de 11,50% sobre igual período de 1999. O aumento ocorreu graças à recuperação dos preços de venda do grão e do farelo. O preço médio do setor cresceu 5,23% no período.
O Ministério da Agricultura estima que o complexo soja feche o ano com exportações de US$ 4,19 bilhões. O secretário de Produção e Comercialização do Ministério, Paulo Cezar Samico, disse que a tendência é que este resultado seja ainda melhor, uma vez que o forte dos embarques vai ocorrer deste mês em diante. ‘‘Os exportadores retardaram os embarques à espera da recuperação dos preços’’, observou.
Bovinos A carne bovina natura ‘‘foi outro produto que teve um desempenho excepcional nos 10 primeiros meses deste ano, apesar da queda de 8,80% nos preços em relação ao mesmo período de 1999. As exportações cresceram de 123.378 toneladas e receita de US$ 362,686 milhões no ano passado para 157.578 toneladas (+27 72%) e divisas de US$ 422,4 milhões (+16,48%).
Frango Por seu turno, as exportações de carne de frango continuaram mantendo a liderança nas exportações do segmento de carnes, tendo suas exportações somado US$ 689 milhões de janeiro a outubro deste ano ante US$ 744,768 milhões em igual período do ano passado. Apesar do aumento de 21,63% na quantidade exportada nesses 10 meses, a receita cambial caiu 8,13% no mesmo período.
Café Já as exportações de café continuarão em queda e não deverão ultrapassar US$ 1,8 milhão neste ano. De janeiro a outubro deste ano, as exportações do produto sofreram queda de 24,38% no volume exportado e de 26,88% na arrecadação. Essa queda, segundo Samico, ocorreu em virtude da redução na produção e do programa de retenção das exportações deflagrado pelo País em julho passado.
Trigo Com relação às importações, o trigo continua à frente, com importações de 6,5 milhões de toneladas de janeiro a outubro (9,89% a mais que em 1999). Já foram consumidos US$ 720,867 milhões com essas aquisições. O milho também contribuiu para pressionar a balança. As importações do produto cresceram 142 11% nos 10 primeiros meses do ano em comparação com igual período de 1999. Foram gastos US$ 155,850 milhões com a compra de 1,5 milhão de toneladas no período contra US$ 70,3 milhões em igual período do ano passado, quando foram importadas 634 mil toneladas de milho.

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