Oswaldo Petrin
De Londrina
A comercialização de produtos agrícolas, avaliada pelo desempenho do milho e da soja, está entrando na sua melhor fase nos últimos anos. O milho, com preços remuneradores, tende a pagar mais para o produtor devendo atingir, em breve, preços que variem entre R$ 14,00 e R$ 15,00/saca. A soja, ainda com preços baixos, promete chegar rapidamente aos R$ 19,00 e R$ 20,00/saca. Não é segredo que já chegou aos R$ 18,80 esta semana. A tendência da soja é de alta no mercado internacional que deve refletir rapidamente no mercado interno.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina e coordenador da Comissão de Grãos e Crédito Rural da Faep, Edison Mazei Ponti, entrevistado ontem por este jornal, acrescentou um fato novo - que considera muito positivo - na economia agropecuária: é que está melhorando a gestão agrícola inclusive da porteira para fora, com a redução dos juros básicos. E o custo de produção da soja - apesar do aumento sem controle dos preços dos insumos -, caiu pela primeira vez desde a introdução do produto no Paraná. O custo de produção, em números redondos, foi reduzido de R$ 20,00 para R$ 19,00/saca.
O engenheiro agrônomo Edison Ponti fala com a experiência de quem estuda custos de produção há quase 30 anos. O esforço para redução de custos - sem abrir mão do uso de tecnologias - se faz necessário quando se trabalha com lucros comprimidos.
Gerência Entre os fatores de melhoria da eficiência e redução de custos, Ponti aponta ganhos em produtividade, racionalidade no uso de insumos e a terceirização de colheitadeiras. Na medida que o agricultor pode prescindir da compra de colheitadeira que demanda alto investimento, o custo cai, pela redução do investimento fixo. E no caso do ganho em produtividade da soja, ele cita o uso de tecnologias, dando como exemplo o bom desempenho da variedade BR 133 da Embrapa.
Paralelo à conjugação de todas essas variáveis favoráveis, Ponti inclui a introdução de instrumentos de comercialização que ajudam o produtor. Cita especialmente a CPR Financeira, ‘‘muito bem aceita pelo mercado’’. Tanto que deveria ter leilões a cada três dias, mas isto já ocorre diariamente, uma semana depois do seu lançamento nacional na Exposição de Londrina.
Para Ponti, o sucesso é grande porque a emissão da CPR Financeira tem lastro em produtos. A CPR Financeira interessa aos investidores porque paga o dobro da poupança (1,6% contra 0,7% ao mês) e cerca de 50% mais do que quaisquer papéis baseados no CDI - Certificado de Depósito Interbancário. E a CPR também conta com a mesma garantia do Banco do Brasil. É uma excelente aplicação.
Se a CPR Financeira interessa aos investidores pela boa remuneração, também interessa ao tomador do crédito - o agricultor - porque ele vai pagar taxas bem menores, já que dependia de taxas do mercado (4,5 a 5%).
Ambiente econômico Outro ponto positivo é que o alvorecer desta fase ocorre num ambiente macroeconômico que também está melhorando. Queda de juros, controle da inflação, são algumas variáveis citadas. ‘‘Melhoram os índices de crescimento e a economia não é adversa como no ano passado’’, resume o líder rural. Ponti lembra que numa economia inflacionada ganham os especuladores. Mas, quando a situação está normal, o que vale é o resultado da produção; estamos chegando nessa nova realidade, segundo ele.
Ponti lembra que este cenário chegou a ser desenhado dois anos atrás mas foi interrompido pelo impacto da crise que teve origem nas bolsas asiáticas, afetando todas as economias emergentes e vulneráveis.
Defensor do aumento do salário mínimo para aquecer a economia interna, Edison Ponti, vê sinais - ainda que tímidos - de aumento da demanda de alimentos. Mas a alavancagem esperada para os preços da soja vem do mercado externo - que vai reagir à previsão de seca nos Estados Unidos -, e do recuo da safra nacional.

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