Agronegócio do PR diverge sobre plano
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quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- As lideranças do agronegócio do Paraná têm opiniões divergentes sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) anunciado pelo presidente Lula na segunda-feira e que prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) acredita que o programa trará poucos efeitos para o setor no Paraná e que apenas ''tangencia o agronegócio''. Para o Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), os investimentos anunciados no programa em infra-estrutura são importantes e podem aumentar a competitividade do setor.
O assessor técnico-econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, disse que tudo que melhorar a infra-estrutura beneficia o agronegócio. Mas, estes efeitos devem ser sentidos apenas na próxima safra, a 2007/2008. Ele citou que o mais importante para a agropecuária seria o governo intervir no câmbio para que os preços pagos aos produtores fossem mais justos.
Ele lembrou que, agora, o preço da soja está razoável, cotado em R$ 28 a R$ 29 a saca. ''Precisaríamos ter preços consistentes em todo o agronegócio. Para isso, o governo teria que mexer no câmbio'', disse. Albuquerque acredita que o agronegócio só sai beneficiado com o PAC se ocorrerem melhorias no Porto de Paranaguá e nas ferrovias. Neste último segmento, ele cita a viabilização da Ferroeste, através da construção de um novo ramal entre Guarapuava e Ponta Grossa.
Albuquerque acredita que o governo federal deveria estabelecer um ambiente bom para investimentos, um câmbio razoável, reduzir a tributação, baixar os juros e investir em infra-estrutura. ''Se o governo reduzisse a tributação, arrecadaria mais porque o volume de negócios seria maior'', avaliou. Além disso, ele considera como prioridades os investimentos em sanidade animal e no controle de fronteiras.
O superintendente da Ocepar, José Roberto Ricken, destacou que, para que o PAC apresente resultados, o governo precisa viabilizar as intenções anunciadas. Ele disse que o governo teria que se preocupar com o custo da infra-estrutura e com a tributação excessiva.


