Brasília O superávit da balança do agronegócio deverá ser de US$ 22,5 bilhões em 2003, 10,83% a mais do que o resultado do ano passado, quando o saldo do setor foi de US$ 20,3 bilhões. A projeção foi divulgada ontem pelo Ministério da Agricultura. ''As estimativas excluem os eventuais efeitos de uma guerra. Num cenário de conflito mundial, não saberíamos dizer qual seria o resultado no ano'', afirmou o coordenador-geral do departamento de comercialização do Ministério da Agricultura, Eliezer Lopes.
Nos próximos dias, técnicos do Ministério e da iniciativa privada se reúnem para discutir os impactos de uma guerra no agronegócio brasileiro. Para 2003, as estimativas são que as exportações somem US$ 27,25 bilhões, crescimento de 9,7% em relação aos US$ 24,839 bilhões registrados em 2002. As previsões são de importações de US$ 4,75 bilhões em 2003, ante US$ 4,492 bilhões no ano passado crescimento de 5,74%.
Nos dois primeiros meses do ano, o superávit do agronegócio é de US$ 2,994 bilhões, sendo US$ 1,586 bilhão em janeiro e US$ 1,408 bilhão em fevereiro. A balança comercial brasileira fechou os dois primeiros meses com um superávit de US$ 2,283 bilhões. ''O resultado positivo de fevereiro supera em 33,2% o resultado de igual mês de 2002'', aponta o secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura, Linneu Costa Lima.
Em fevereiro de 2003, as exportações do agronegócio somaram US$ 1,802 bilhão, 25% acima do resultado obtido no mesmo período de 2002. As importações totalizaram US$ 394,8 milhões, 2,2% acima do resultado obtido em fevereiro do ano passado.
Produtos Os produtos que determinaram a maior parte desse superávit foram soja, carnes e papel e celulose. ''Esses três grupos responderam por dois terços do incremento das exportações em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2002'', destaca Lopes. Em valores, as exportações do complexo soja foram as que apresentaram maior crescimento.
As exportações do complexo somaram US$ 211,527 milhões no mês passado, 71,6% acima de fevereiro de 2002. O saldo da balança comercial do complexo soja fechou fevereiro deste ano em US$ 188,559 milhões, alta de 75,8% em relação aos US$ 107,262 milhões no mesmo mês de 2002.
''Se aumenta a produção de soja, aumenta o excedente exportável; há sempre demanda pelo grão brasileiro'', disse Lopes.
As exportações de açúcar e álcool caíram no mês passado. Os dados detalhados da balança comercial mostram que as exportações somaram US$ 129,807 milhões em fevereiro de 2003, queda de 5% em relação a igual período de 2002. Para Lima, o resultado negativo não foi determinado pelo acordo fechado recentemente entre governo e usineiros.
Pelo acordo, para garantir o abastecimento interno de álcool, os usineiros comprometeram-se a exportar menos açúcar. ''Ainda é cedo para avaliar o impacto do acordo. Foi uma queda sazonal'', disse. As estimativas eram de que as exportações de açúcar cairiam para cerca de 11 milhões de toneladas neste ano, ante 13 milhões em 2002.
No segmento de carnes, as exportações renderam US$ 279,157 milhões em fevereiro - crescimento de 32,6% em relação a fevereiro de 2002. As importações somaram US$ 4,365 milhões, o que gerou saldo positivo de US$ 204,678 milhões em fevereiro. O superávit do mês passado é 34,3% superior ao registrado em fevereiro de 2002.

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