Agronegócio cresceu menos este ano
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2000
Agência Folha 
O PIB do agronegócio cresceu em 2000 menos do que o esperado. A estimativa para este ano é de um crescimento de 1,43% em relação ao registrado em 1999. As previsões anteriores previam um crescimento médio entre 4% e 4,5%.
De acordo com a pesquisa CNA/USP, divulgada ontem, o PIB do setor de agronegócios - que além da atividade dentro das fazendas inclui a distribuição e fornecimento de insumos- chegará a R$ 273,32 bilhões em 2000, contra R$ 269,47 no ano passado.
Já o PIB somente da agricultura caiu de R$ 43,05 bilhões no ano passado para estimativa de R$ 41,79 bilhões neste ano, ou 2,92%.
A pecuária registrou crescimento de 6,82%, subindo de R$ 33,22 bilhões em 99 para uma previsão de R$ 35,49 bilhões em 2000. Segundo a CNA, o crescimento do setor foi o principal responsável pela recuperação do PIB do agronegócio neste ano.
Até outubro, a balança comercial agropecuária tem um superávit de US$ 9,868 bilhões, resultado inferior em 1,06% ao saldo no mesmo período do ano passado, que foi de US$ 10,261 bilhões.
As exportações somaram de janeiro a outubro US$ 14,171 bilhões, enquanto as importações somaram no mesmo período US$ 4,302 bilhões.
Produção O aumento da produtividade de grãos não fez a produção anual de 80 milhões de toneladas crescer, o que, segundo a CNA, é muito baixo para a potencialidade brasileira.
De acordo com os dados do balanço da agricultura, as importações de trigo, arroz, feijão, milho e algodão devem chegar a 12 milhões de toneladas.
O país tornou-se o maior importador mundial de trigo, comprando neste ano 7,8 milhões de toneladas.
É lamentável que um país como o Brasil, que poderia ser um gigante mundial na exportação de alimentos, seja hoje um grande importador, afirmou Antonio Ernesto de Salvo, presidente da CNA.
A entidade concluiu também que a queda nos preços reais dos principais produtos agrícolas e o reajuste dos insumos foram as principais causas da queda de renda dos agricultores em 2000.
Os produtores de arroz, por exemplo, perderam R$ 900 milhões de faturamento bruto em consequência da superoferta do produto no Mercosul e da concorrência das importações da Argentina e do Uruguai.
O feijão, por sua vez, terá neste ano um faturamento 27,9% inferior ao do ano passado. Segundo a CNA, as aquisições do produto feitas pelo governo foram insuficientes para assegurar renda aos produtores.
Os produtos batata inglesa, laranja e trigo também apresentaram queda no faturamento bruto.
Fé no ano que vem A CNA acredita que o próximo ano poderá ser melhor para a agricultura brasileira desde que os produtos possam contar com os recursos oficiais na hora certa.
Segundo Salvo, há dificuldades enormes em relação ao crédito rural, o que coloca o tigre que é a agricultura brasileira com o pé amarrado.
Apesar das críticas, as perspectivas para 2001 da entidade são otimistas em relação a produtos como milho, soja, algodão, além da pecuária de leite. Os produtos que devem apresentar problemas são o arroz e o trigo.
No caso do arroz, haverá dificuldade na recuperação dos preços, uma vez que os estoques oficiais compensarão a queda na produção nacional. Quanto ao trigo, a CNA aponta que o Brasil consolidou sua posição de maior importador mundial e não tem uma política para combater o problema.


