Agronegócio cobre 41,36% das divisas
Mariângela Herédia
Agência Estado
A balança comercial do agronegócio registrou um superávit de US$ 12,026 bilhões de janeiro a novembro, com exportações de US$ 17,924 bilhões e importações de US$ 5,898 bilhões. O resultado revela que, mais uma vez as commodities agrícolas evitaram um pior desempenho da balança comercial brasileira, que até novembro acumulou um déficit global de US$ 1 447 milhão.
O secretário de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Samico, observou ontem que o saldo da balança comercial do agronegócio só não foi melhor por causa da queda dos preços das commodities no mercado internacional. Em 1998, as exportações do complexo soja atingiram US$ 5 bilhões e este ano ficaram em US$ 3,5 bilhões no período, com uma queda de 23% nos preços e de apenas 3,7% em quantidade, explicou.
Apesar de ainda faltar o resultado de dezembro, Samico avalia que não deverá haver mudanças significativas no saldo deste ano, já que as exportações foram praticamente concluídas. As importações dos chamados produtos de final de ano, como bacalhau nozes e castanhas, poderão reduzir um pouco o saldo final, em cerca de US$ 200 milhões ou US$ 300 milhões, no máximo.
A participação do agronegócio na balança comercial brasileira, de janeiro a novembro, foi de 41,36% das exportações e de 13,17% das importações. A liderança do ranking das exportações agropecuárias continuou com o complexo soja, que exportou US$ 3,5 bilhões, com 19,5 milhões de toneladas, e importou US$ 394 milhões, com saldo de US$ 3,1 bilhões.
Em seguida, vieram o café e seus produtos, com US$ 2,234 bilhões de exportações e US$ 18 milhões de importação, resultando num superávit de US$ 2,216 bilhões. Logo após ficou o setor de papel e celulose, com exportações de US$ 1,948 bilhão e importações de US$ 715,5 milhões, e saldo de US$ 1,232 bilhão.
Depois vieram o setor de carnes e pescados - exportações de US$ 1,848 bilhão e importações de US$ 348 milhões - couros e calçados - exportações de US$ 1,820 bilhão e importações de US$ 221 milhões - e cana, açúcar e madeira - exportações de US$ 1 763 bilhão e US$ 51 milhões de importações.
Soja A maior receita com as exportações do complexo soja veio dos grãos, com US$ 1,5 bilhão, seguido do farelo, com US$ 1,3 bilhão e do óleo bruto, com US$ 525 milhões.
A Holanda foi o País que mais comprou soja do Brasil no período, adquirindo US$ 537 milhões do total de grãos vendidos e mais US$ 333 milhões de farelo e resíduos de soja. A Espanha é o segundo maior importador dos produtos, com US$ 251 milhões de soja em grãos e US$ 120 milhões de farelo.
No caso do café, embora tenha ocorrido um aumento significativo dos volumes exportados, houve queda de quase 5% na receita. O excesso de oferta respondeu pela queda de quase 30% no preço médio do produto no período, de acordo com a avaliação do Ministério da Agricultura. Estados Unidos e Alemanha foram os maiores importadores de café em grãos do Brasil.
O desempenho dos setores de madeira compensada e de frutas foi destacado. As exportações de madeira compensada tiveram o melhor desempenho relativo dos produtos do agronegócio com 99,6% de aumento no volume exportado, alcançando US$ 304 milhões com a venda de 574 mil toneladas. As vendas de frutas cresceram 33% em relação ao mesmo período do ano passado, chegando a US$ 287milhões com 417 mil toneladas.
Importações O produto do agronegócio responsável pelo maior gasto com importações no período foi o trigo, com US$ 781 milhões e volume de 6,4 milhões de toneladas, superior em 8,4% o total comprado em 1998.
A Argentina foi responsável por mais de 95% do volume importado pelo Brasil, ficando Canadá e Estados Unidos com volumes menores. O segundo maior volume de importação do agronegócio é de adubos e fertilizantes, com US$ 781 milhões.
A expectativa do Ministério da Agricultura, de acordo com o secretário, é de que a recuperação dos preços de algumas commodities, que já começa a acontecer, resulte num aumento de cerca de US$ 3 bilhões no saldo da balança agrícola no ano 2000. Esperamos chegar a um superávit de US$ 15 bilhões no ano que vem, disse.





