Os maiores problemas da cadeia produtiva estão nas indústrias do algodão, trigo, leite e das carnes, informou Wilson Thiensen, presidente da Clac e do Sindicato da Indústria do Leite, indicado pela Fiep para coordenar o Conselho Temático que estuda as cadeias produtivas. O estudo das cadeias produtivas revela os setores da agroindústria que estão na ‘‘UTI’’ e que precisam de soluções imediatas para não desestruturar os parques industriais. Além desses produtos, estão sendo estudadas as cadeias produtivas do café, sericicultura, citricultura e erva-mate.
Thiensen relacionou os segmentos cujos problemas começaram no setor produtivo, com a abertura das importações, e hoje estão eclodindo na indústria e em breve no comércio, caso não haja uma tomada de posição para resolver os gargalos já identificados. Ele citou o caso do trigo, em que o governo autorizou a importação do grão de forma indiscriminada, sem proteger a produção nacional e hoje o problema está localizado na indústria.
Depois da importação do grão, foi importada a farinha e, agora, as massas e os biscoitos, em prejuízo da agroindústria.
Com o algodão aconteceu a mesma coisa, diz Thiensen. Primeiro foi importada apenas a fibra que prejudicou o produtor e provovou o desemprego de 150 mil pessoas no campo, só no Paraná. Agora estão sendo importados o fio e a roupa pronta para desespero da indústria. No setor leiteiro, as importações e a falta de planejamento do mercado são responsáveis pelo excesso de produto que está resultando numa verdadeira ‘‘autofagia’’ entre as indústrias, alertou Thiensen.
Nas carnes, a falta de planejamento do mercado também está provocando um excesso de produção, pressionando os preços dos produtos para níveis abaixo dos custos de produção.
Passo seguinte O estudo das cadeias será convertido em documento para embasar a formação das câmaras setoriais que vão orientar o governo na formulação de políticas específicas para apoiar esses setores. Thiensen destaca que os estudos, que estão sendo feitos com a ajuda de técnicos de seis secretarias de Estado, de suas empresas vinculadas e da iniciativa privada, deverão nortear não apenas um governo, mas os que se sucederem daqui para frente. Além dos entraves da produção, Thiensen revelou que os empresários estão muito preocupados com a incidência do custo Brasil que elimina qualquer vantagem comparativa que os produtos brasileiros possam vir a ter.
Thiensen informou que o Conselho Temático da Fiep vai constituir uma câmara setorial especificamente para o setor de insumos que deverá envolver a indústria de implementos, sementes, fertilizantes e calcário.

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