Rio A agroindústria deverá repetir o bom desempenho do ano passado e elevar a produção acima da média da indústria em geral neste ano, impulsionada especialmente pelas exportações e algum aquecimento do mercado interno. A economista Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria, prevê uma expansão em torno de 3,5% para a produção da indústria de alimentos, ante um crescimento de 1,8% previsto para a indústria em geral. A Associação Brasileira da Indústria Alimentícia (Abia) prevê um aumento entre 2,5% e 3%.
No ano passado, a produção da indústria alimentícia cresceu 4,2%, ante um aumento geral de 2,4%, segundo dados divulgados na semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O superávit do agronegócio, nas contas de Amaryllis, deverá atingir US$ 21,5 bilhões neste ano, ante US$ 20,33 bilhões. ''O aumento não será forte, mas acontece em cima de resultados positivos há dois anos'', ressaltou.
O diretor econômico da Abia, Denis Ribeiro, espera que as exportações de alimentos processados atinjam US$ 11,5 bilhões neste ano, o que ele considera uma ''bela vitória'' ante os US$ 10,6 bilhões exportados no ano passado. Ele ressalta que não estão incluídas nessa projeção as vendas externas de alimentos in natura importantes para a balança comercial do País, como soja em grão.
Ribeiro avalia que a indústria de alimentos tem pela frente um ''horizonte razoável'' neste ano, impulsionada especialmente pela exportação, como já ocorreu no ano passado. Segundo ele, o principal desafio do setor no mercado externo será a conquista de novos mercados. ''Apesar do protecionismo internacional, o câmbio previsto até o final do ano, de R$ 3,30, favorece as vendas externas do setor'', disse.
Amaryllis também acredita que o cenário será favorável para a agroindústria neste ano, já que a demanda externa está ''muito forte'' e não há notícias até o momento de oferta adicional de produtos concorrentes no mercado internacional. Segundo ela, as decisões anunciadas ontem nos Estados Unidos sobre tarifas para o Mercosul, que prejudicam o bloco, só terão consequências para o Brasil no médio e longo prazo e, além disso, poderão ter os efeitos sobre o comércio do País revertidos via negociações bilaterais com outros países.

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