O Plano Nacional de Agroenergia deve consumir recursos de R$ 9,8 milhões no próximo ano. A verba será usada na implantação de programas científicos e na modernização de laboratórios de agroenergia. A intenção é encontrar soluções para o negócio da agroenergia a partir de matrizes energéticas brasileiras como o etanol, o biodiesel, os resíduos e as florestas energéticas. O etanol é visto como uma atividade consolidada, inclusive, porque o Brasil é líder mundial de produção. Já o biodiesel é tido como a atual prioridade enquanto as pesquisas com as outras duas fontes estão sendo iniciadas.
''A previsão é que o biodiesel 100% de óleo vegetal esteja no mercado em dez anos. O caminho é que o diesel seja substituído pelo biodiesel puro'', informou João Pratagil Pereira de Araújo, coordenador do Projeto Embrapa Agroenergia. O programa brasileiro de agroenergia está sendo desenvolvido em parceria pela Petrobras, Agência Nacional do Petróleo, Embrapa e Ministério do Desenvolvimento Agrário e o desafio é unir a expansão dos parques industriais com a inserção da agricultura familiar.
''O problema é que a expansão das indústrias ocorre em velocidade mais rápida do que a oferta de matéria-prima. A soja é o principal grão utilizado devido à sua produção maior, mas temos que explorar a diversidade brasileira'', disse Araújo. A ''exploração da diversidade'' viria com as pesquisas desenvolvidas a partir do controle de doenças e pragas e do melhoramento genético das plantas. No entanto, essas pesquisas esbarram em um outro problema: a demora na liberação destes estudos por órgãos do próprio governo, como a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que têm o poder de autorizar e regulamentar esses estudos.
''O problema da CTNBio é a restrição com organismos geneticamente modificados, o que é um fator limitante, mas os interesses coletivos têm que ser conciliados entre a visão do coletivo e os interesses sociais e a sociedade deve se organizar para discutir isso'', afirmou o pesquisador. Sobre o trabalho de pesquisas de agroenergia com as florestas energéticas inclui a produção de carvão vegetal e de lenhas para abastecer os fornos industriais. Já os resíduos, as linhas de estudos abordam a utilização do bagaço da cana-de-açúcar, por exemplo, nas caldeiras industriais e o uso dos lixos urbano e orgânicos na geração do gás metano. (F.M.)

mockup