Embora o ciclo da agroenergia esteja apenas começando, os combustíveis produzidos a partir das plantas já estão sendo encarados como um período de transição. Neste momento, a ''energia limpa'' está sendo usada como apoio ao petróleo, para que o combustível fóssil não seja esgotado tão rapidamente. Futuramente, ela poderá ser usada em auxílio à energia solar ou ao hidrogênio. O assunto foi abordado ontem à noite, pelo pesquisador da Embrapa Soja Amélio Dall'Agnol, na palestra que encerrou a 17 Semana de Economia de Londrina.
Segundo ele, a estimativa é que o ciclo da agroenergia dure mais cem anos porque toda a sua produção não será suficiente para suprir a demanda mundial por combustível. ''Atualmente, o mundo consome 85 milhões de barris de petróleo por dia e o consumo de energia está crescendo 1,7% por ano'', afirmou. Por isso, na sua opinião, a energia que deverá ser utilizada mais amplamente é a solar. No entanto, as técnicas de captação terão que ser melhoradas e os pesquisadores terão que desenvolver maneiras de estocar toda essa energia.
Os Estados Unidos já investem em pesquisas na energia solar, mas as formas de armazenamento desta energia ainda são desconhecidas. No Brasil, o aproveitamento da luz do sol se limita aos painéis solares. Dall'Agnol lembra que as reservas petrolíferas mundiais são suficientes apenas por 45 anos. No entanto, ele estima que o uso do petróleo deverá perdurar por mais tempo, a partir de descobertas de pequenos poços e da utilização conjunta do biocombustível.
''A partir da explosão do preço do petróleo, que atingiu os US$ 70 o barril, houve uma movimentação para os óleos vegetais; no Brasil, aumentou a quantidade de usinas e a área cultivada de cana-de-açúcar'', comentou o pesquisador. Além do alto preço do petróleo, a demanda pela agroenergia foi incrementada pela questão ambiental, uma vez que o Protocolo de Kyoto estabeleceu níveis máximos de poluição por países. Embora os Estados Unidos tenham se recusado a participar do acordo, os americanos intensificaram a produção de álcool combustível a partir do milho.
''O Brasil é responsável por 45% da matriz energética com fontes renováveis, é a grande promessa mundial na produção da agroenergia porque temos terra aptas ao cultivo'', disse Dall'Agnol. Atualmente, a planta mais viável para a produção do biocombustível brasileiro é a soja. Essa utilização não se deve tanto pelo seu potencial oleaginoso, que é de apenas 15%, mas porque os produtores dominam a tecnologia da sua produção e pela abrangência do mercado. ''A soja é a planta mais cultivada pelo seu teor energético e porque é utilizada na alimentação de animais. Do total fabricado de óleos, 88% são de soja'', argumenta Dall'Agnol.
Mas para aprimorar o programa da agroenergia é preciso que os brasileiros passem a dominar a tecnologia de produção de outras oleaginosas - como pinhão manso, canola, girassol, macaúba e nabo forrageiro - com teor de óleo superior ao da soja e do algodão, por exemplo, plantas mais utilizados atualmente. Além da técnica de produção, de acordo com o pesquisador, é preciso também utilizar corretamente os subprodutos.

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