Agrobit posiciona Londrina como capital da inovação no agro

Considerado o maior de tecnologia para o agro, evento promoveu conexões entre produtores rurais e fornecedoras de tecnologia; evento terminou nesta quarta-feira

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

Estacionado no Parque de Exposições Ney Braga, estava um carro conectado a uma cabine que o abastecia com biometano resultante do processamento do biogás de matéria orgânica. Logo em frente, um pesquisador apontava para a plantação de soja um sensor para medir, por meio de comprimentos de onda de luz, a presença de pragas. O resultado podia ser visto simultaneamente, na tela de um computador. 


Samuel Roggia, da Embrapa Soja, e Luiz Eduardo Vicente, da Embrapa Meio Ambiente: sensoreamento para detecção de pragas na soja
Samuel Roggia, da Embrapa Soja, e Luiz Eduardo Vicente, da Embrapa Meio Ambiente: sensoreamento para detecção de pragas na soja | Marcos Zanutto
 


Esse era o cenário que podia ser visto no Agrobit 2019, considerado o maior evento de tecnologia para o agronegócio do País, que terminou nesta quarta-feira (13). Esta é a segunda edição do evento e, segundo Daiana Bisognin, diretora da F&B Eventos, organizadora do evento, dobrou de tamanho, seja em número de visitantes quanto em área expositiva.  




O evento contou com 3 mil visitantes que circularam por dois dias em cinco ambientes preparados para receber palestras, painéis, área de estandes, exposição de máquinas, campo de demonstração de soja de milho, área de startups, hackathon, entre outros, no Parque de Exposições Ney Braga. 


Microsposto desenvolvido por empresa londrinense para substituir diesel por biometano no campo
Microsposto desenvolvido por empresa londrinense para substituir diesel por biometano no campo | Marcos Zanutto
 


Na Vila Tecnológica Smart Farm Agrobit, espaço reservado para startups e empresas juniores, era possível encontrar um microposto para biometano levado por uma startup criada dentro da londrinense ERBR. No interior, havia uma biorrefinaria de biogás, combustível produzido a partir de resíduos orgânicos. Por meio da biorrefinaria, o biogás é processado e se transforma no biometano, que tem propriedades iguais às do GNV (Gás Natural Veicular), utilizado em automóveis.  


O microposto pode ser alocado na suinocultura, por exemplo, local onde há uma grande produção de matéria orgânica. O produtor rural pode, assim, abastecer veículos e geradores de energia com o biometano gerado a partir do biogás de biodigestores, que transformam o gás metano do material orgânico gerado na propriedade em biogás.  


Segundo Cícero Bley, diretor da Bley Energia, os micropostos descentralizam o abastecimento de combustível, e o biometano substitui o diesel utilizado pelos veículos no campo. É mais barato – R$ 0,60 por metro cúbico, menos poluente e fica disponível 24 horas. O investimento pelo microposto, de cerca de R$ 340 mil, se paga em cerca de dois anos e meio.   


No campo experimental da Embrapa Soja, o pesquisador de Sensoreamento Remoto da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), Luiz Eduardo Vicente, testava um equipamento chamado espectroradiômetro para verificar, na plantação de soja, a presença de pragas. Isso é possível por meio de um sensor que lê a interação da radiação eletromagnética (luz) com o alvo - no caso, a planta. O comprimento de onda da luz pode trazer ao produtor informações importantes da planta, características físico-químicas como o nitrogênio. A técnica visa substituir outros métodos que destroem a folha, e são custosas e demoradas. 


 


“Uma planta atacada por percevejo é algo que não enxergamos, mas que o sensor pode detectar. A ideia é que, no final, possamos gerar um método de amostragem de pragas mais fácil, prático e que o produtor possa adotar. É uma ideia de futuro, mas que precisamos desde agora ir desenvolvendo”, explica Samuel Roggia, pesquisador da Embrapa Soja. 


Evento apresentou inovações que já são realidade para o campo 


“O Agrobit 2019 superou nossos objetivos. Tivemos uma qualidade de público espetacular. Cerca de 70% eram produtores rurais e empresas do agro”, conta Daiana Bisognin, da F&B Eventos. Isso é uma prova, conforme ela, de que o objetivo do evento de conscientizar esse público da necessidade de estar atualizado sobre as novas tecnologias foi alcançado. 


O evento também conseguiu cumprir o seu papel de gerar conexões entre os produtores e empresários e fornecedores de tecnologia, inclusive startups, diz Bisognin. “Eles também puderam ter a experiência de como, na prática, como as soluções vão fazer a diferença na sua produtividade.” 


 


Para a diretora da F&B Eventos, o evento conseguiu posicionar Londrina como capital da inovação no agronegócio. Na sua opinião, o Agrobit movimentou a economia da cidade durante o período do evento e vai continuar movimentando com os negócios resultantes dele. O evento se repete no ano que vem e será anual. 


Para Lucas Ferreira Lima, gestor estratégico de startups do Sebrae/PR, o Agrobit 2019 conseguiu reunir desde grupos do Hackathon Agroclimático, com projetos inovadores, até empresas mais tradicionais, como de maquinário agrícola. “Conseguiu trazer inovações que já podem ser absorvidas pelo mercado que impactam desde a tomada de decisão para o plantio até a colheita em escala industrial.” (M.F.C.)


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