Ribeirão Preto - Recorde de comercialização está sendo esperado na Agrishow - Feira Internacional de Tecnologia Agrícola e Ação, que será encerrada hoje em Ribeirão Preto (SP). O otimismo que atingiu o setor agrícola nesta safra com produção recorde e preços animadores se estendeu aos domínios da feira, que ocupa 100 hectares com demonstrações de tecnologias e máquinas. Na sua 15 edição, a Agrishow reuniu 745 empresas dos mais diversos segmentos do agribusiness. A previsão de R$ 800 milhões em vendas, divulgada no início da feira, deverá ser superada.
O maior diferencial é que a Agrishow é uma feira dinâmica, onde os produtores e interessados assistem à demonstração das tecnologias e máquinas no campo. Pode-se, por exemplo, fazer test drives em veículos para o trabalho no campo, operar colheitadeiras e plantadeiras. O modelo de exposição foi inspirado em similares dos Estados Unidos e trazido ao Brasil pelo agropecuarista londrinense Brazílio Araújo Neto, que promoveu uma feira do gênero em sua propriedade, em 1991.
De lá para cá, a Agrishow conquistou lugar importante no setor de feiras agropecuárias, conseguiu local privilegiado para sua realização em Ribeirão Preto - por meio de uma decisão de Roberto Rodrigues, na época secretário de Agricultura do estado de São Paulo. Mas também passou por momentos difíceis como em 1995, quando colheu grandes prejuízos.
Este ano, a Agrishow, ao lado dos resultados positivos registrados no agronegócio, firmou sua posição de uma das mais importantes da América Latina. Grandes temas para o setor, como a produção de biocombustíveis, deu o tom do evento. O mercado de máquinas deve continuar aquecido e o desafio da indústria é atender as centenas de pedidos da área rural.
A maioria dos fabricantes de tratores, colheitadeiras e motores apresentou modelos adequados para a utilização do biodiesel, com adaptação para as misturas B5, B20 e até B50 (os números da sigla representam o percentual de biocombustível que é adicionado ao diesel). Relatos e opiniões de fabricantes, dirigentes e participantes da feira elegem o biocombustível como o grande propulsor do desenvolvimento brasileiro. A fabricação de máquinas destinadas ao cultivo da cana-de-açúcar, além de tratores de menor porte para pequenos produtores é uma das prioridades da indústria.
Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e atual presidente do conselho que organiza a feira, afirma que a importância da Agrishow justifica a ampliação de horizontes. Este ano, por exemplo, a Federação de Trabalhadores da Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) teve representação no conselho. ''O nosso objetivo é agregar todos os segmentos da agricultura'', diz Rodrigues.
O presidente da Agrishow informa que novas vertentes vão nortear os próximos eventos. ''A Agrishow continuará sendo a plataforma de lançamentos, representando o ciclo virtuoso da agricultura brasileira'', sentencia. Segundo ele, a participação da agricultura familiar será ampliada, e a feira deverá se tornar uma referência de sustentabilidade, até como uma resposta às frequentes cobranças de preservação ambiental que chegam ao País.
''A agrishow será um centro de radiação da agroenergia, uma vitrine das tecnologias desse setor'', diz. Segundo Rodrigues o Brasil tem como dar uma resposta à altura à recente polêmica de que a produção de biodiesel ameaça a segurança alimentar. ''O Brasil colheu a maior safra de grãos e as lavouras de cana registraram um recorde de mais de 600 milhões de toneladas. Alimentos e cana crescem juntos'', afirma.
Para Rodrigues, a má-fé pode ter dado origem ao atual conflito. ''Especuladores que perderam com o milho americano querem recuperar os prejuízos lançando mão de uma inverdade'', finaliza.
A jornalista viajou a convite da organização da Agrishow

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