Ribeirão Preto O poeirão levantado pelas máquinas parecia até névoa da madrugada, não fosse o sol escaldante que imperou durante toda a semana da Agrishow 2005, encerrada ontem, em Ribeirão Preto (SP). Bem que as indústrias de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas tentaram. Ligaram os tratores, levantaram poeira, mostraram as piruetas de que são capazes. Os agricultores gostaram, mas voltaram para casa de mãos vazias. Segundo Sérgio Magalhães, presidente da Agrishow, a feira deste ano foi um sucesso na demonstração de tecnologia e um fracasso nas vendas. De R$ 1,2 bilhão do ano passado, para R$ 600 milhões este ano, ''com sorte'', segundo ele.
''Comprar o quê, rapaz? Eu só queria. Vou ficar querendo'', brinca Valdemir Morete, sojicultor paulista. A edição 2005 da maior feira do agronegócio latino-americano não foi exatamente o que se esperava. O momento atual da agricultura, com safra menor e preços em queda, não ajudou os negócios. Claro, há exceções no cenário, como cana, laranja e café, culturas da Região Sudeste, basicamente. Mas no conjunto, o prejuízo não é pequeno e a fatura da crise agrícola começa a aparecer. Depois de três anos de exuberância, a agricultura enfrenta um momento crítico cujas dimensões ainda não são totalmente conhecidas.
A previsão do IBGE de uma safra de 130 milhões de toneladas de grãos este ano foi revisada para baixo: 116,3 milhões de toneladas, queda de 2,5% em relação à safra 2003/2004. Em algumas áreas do Rio Grande do Sul a perda foi total. E essas perdas vão implicar, necessariamente, na queda da renda dos agricultores.
A estimativa do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, que estava em Ribeirão Preto, é que o agricultor perderá R$ 20 bilhões neste ano. Menos renda, menos investimento. O prognóstico: ''O Brasil vai crescer cerca de 1% em área plantada, mas enfrentará perda do nível tecnológico na agricultura. Menos fertilizantes, menos defensivos, menos produtividade'', disse o ministro.

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