Agrishow começa sob vaias e sem discursos
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segunda-feira, 27 de abril de 2015
Mariana Guerin<br>Reportagem Local 
Ribeirão Preto - Sob vaias e gritos de "Fora Dilma", teve início ontem, em Ribeirão Preto (SP), a 22ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação (Agrishow). Com a previsão de superar o faturamento do ano passado, quando foram negociados R$ 2,7 bilhões, a feira reunirá até a próxima sexta-feira 400 empresas representando 800 marcas, em 440 mil metros quadrados de área. A previsão dos organizadores é receber cerca de 160 mil visitantes de mais de 70 países. Entre as entidades realizadoras estão a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), Federação da Agricultura e da Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) e Sociedade Rural Brasileira (SRB).
Participaram da abertura do evento, que iniciou com atraso e durou pouco mais de meia hora, o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, e a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu. Intimidados pelas vaias de um grupo de 80 pessoas do movimento Brasil Limpo, de Ribeirão Preto, que estavam "uniformizadas" com uma camiseta branca com a frase "Fora PT" e realizaram um apitaço carregando bandeiras pedindo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, os políticos não discursaram e deixaram o local logo em seguida à entrega do 1º Troféu Brasil Agrociência ao engenheiro agrônomo Alfredo Scheid Lopes , professor da Universidade de Lavras (MG). Lopes recebeu R$ 30 mil por seus trabalhos de pesquisa na área de fertilidade do solo, do presidente da Faesp, Fábio Meirelles, que também preside a Agrishow.
Michel Temer deixou a Agrishow sem conversar com a imprensa. Já Kátia Abreu foi cercada por jornalistas quando tentava deixar a feira e acabou comentando sobre a criação da Lei Agrícola, que deverá ser discutida com entidades ligadas ao agronegócio antes de ser apresentada ao Congresso e dará um norte para a criação de políticas agrícolas para o País. O anúncio do Plano Safra deve ser uma das mudanças propostas pela Lei Agrícola.
"Há mais de 10 anos o Plano Safra é anunciado em junho, mas nós queremos este ano anunciá-lo no dia 19 de maio. Com a nova Lei Agrícola que pretendemos aprovar eu acredito que vamos começar a anunciar os planos nos mês de março. A lei vai impor as regras. Queremos com isso um planejamento estratégico para os produtores do Brasil, como os nossos concorrentes norte-americanos já têm", declarou Kátia, reforçando que a nova legislação deverá ser coordenada pelo Mapa, e terá a parceria do Congresso Nacional e de entidades de classe.
A ministra também comentou sobre a definição do novo preço mínimo para o trigo, que recebeu um reajuste de 4,5%. "A Conab indicou um acréscimo no preço mínimo, mas como houve discordância dos produtores, abrimos o diálogo, chamamos a Esalq e a Embrapa e fechamos um grande acordo de aumento do preço mínimo em 4,5%."


