‘‘Estamos vivendo o que se pode chamar de ‘Terceira Onda da Agricultura’. A primeira foi a mecanização e a segunda o desenvolvimento de insumos químicos’’. A afirmação é do diretor de Assuntos Reguladores da Monsanto do Brasil, Luiz Abramides do Val, ao se referir aos avanços proporcionados pelo desenvolvimento da biotecnologia no mundo.
Segundo Abramides, a biotecnologia trabalha atualmente em quatro linhas de pesquisas. A primeira e a segunda já estão aí: plantas resistentes a herbicidas e a insetos. Agora está se desenvolvendo a terceira e a quarta linha.
A terceira linha da pesquisa biotecnológica, de acordo com Abramides, busca a melhoria das qualidades intrínsecas dos produtos agrícolas. ‘‘A pesquisa hoje, busca por exemplo, uma batata com maior teor de amido, um tomate com menos água, com isso poderemos melhorar o paladar e otimizar os processos de industrialização dos alimentos’’, comenta. Dentro desta linha, a pesquisa busca também melhorar o teor de proteína e de conferir às plantas, a capacidade de sintetizar antígenos para agir como vacinas. Também se busca a melhoria da qualidade dos óleos produzidos por grãos.
‘Rainha dos insumos’ A outra linha, segundo Abramides, procura desenvolver plantas adaptadas a condições adversas. ‘‘O objetivo destas pesquisas é agredir cada vez menos o ambiente, com a redução do uso de insumos’’, diz. Desta forma, explica Abramides, uma planta poderá ser cultivada em solo ácido, sem a necessidade de calagem, ou então se desenvolver em terrenos mais secos ou em solo com alto teor de salinidade. ‘‘A semente será a ‘rainha dos insumos’, porque ela vai carregar soluções que hoje são proporcionadas pelos insumos químicos’’, prevê.
Abramides diz ainda que outra tendência que a biotecnologia já está gerando, é a fusão entre as grandes empresas que trabalham com insumos. ‘‘O custo da pesquisa é muito alto, e a fusão é a forma que estas empresas estão encontrando para otimizar o desenvolvimento de novas pesquisas’’, afirma. A Monsanto investiu no Programa de Biotecnologia, que vem sendo desenvolvido a 10 anos, US$ 3 bilhões.
Mais transgênicos O Coordenador técnico do Programa de Biotecnologia da Monsanto do Brasil, Geraldo Berger, diz que a empresa já entrou com pedido de importação de algodão e milho transgênico, com gene BT, que confere resistência ao ataque de lagartas. ‘‘O pedido de importação foi encaminhado para a Comissão de Biosegurança e estamos aguardando autorização para importar estes produtos também’’, afirma.
Berger diz que a soja RR foi amplamente testada antes de ser plantada e consumida nos Estados Unidos, Europa e Japão. ‘‘A soja RR cumpriu todas as exigências no que se refere a segurança alimentícia, ambiental e do uso de herbicidas pós-emergentes. Ficou comprovado que ela é igual à soja convencional’’, afirma.(G.R.)

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